Dirigir na cidade de São Paulo nunca foi fácil. Já não era há 30 anos, quando a média de lentidão no trânsito no pico da manhã havia explodido para 80 km —quase 200% a mais na comparação com os 28 km de anda e para de apenas quatro anos antes, em 1992.

O ano de 1996 foi emblemático para o trânsito na capital paulista e em cidades vizinhas. Em 5 de agosto, há exatas três décadas, era implantada a restrição de circulação no município em mais nove cidades da região metropolitana de São Paulo.

Durou menos de um mês, mas foi o primeiro rodízio de veículos da história a vigorar no país, com multa para quem desrespeitasse a regra —no ano anterior, um projeto-piloto chegou a ser implantado por cinco dias, mas sem obrigatoriedade dos motoristas.

A regra surgiu do governo estadual do tucano Mário Covas (1930–2001) e não foi uma iniciativa municipal. O rodízio daquela época, aprovado em lei pela Assembleia Legislativa para os meses mais secos, buscava amenizar a qualidade do ar e não melhorar o trânsito. A circulação, conforme a placa, era proibida das 7h às 20h.

Porém, diante do aumento aparentemente sem fim nos congestionamentos, no ano seguinte, o então prefeito Celso Pitta (1946-2009) implantou o rodízio de veículos no centro expandido da cidade de São Paulo, aos moldes de hoje, com restrição nos horários de pico da manhã (das 7h às 10h) e da tarde (das 17h às 20h), de acordo com o último número da placa do veículo e dia da semana.