Nomes da direita compararam episódios a revogação de visto de embaixador da Venezuela em Washington em 2010 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, durante sabatina no Senado — Foto: José Cruz/Agência Senado/06-12-2012 A decisão americana de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, levou a esquerda a recuperar o discurso de defesa de soberania, enquanto a direita atribui a crise ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em uma publicação nas redes sociais, o filho do ex-presidente Eduardo Bolsonaro disse que o petista escala a crise com o governo do presidente americano Donald Trump para fins eleitorais. Na publicação, o ex-deputado federal afirmou que a revogação do visto de Viotti vem dias após o governo brasileiro fazer o mesmo com funcionários do Departamento de Estado. A justificativa oficial da visita era discutir liberdade de expressão no contexto das eleições, mas, segundo o jornal americano The Washington Post, os americano Riley M. Barne e Samuel D. Samson pretendiam questionar a integridade do processo eleitoral. — Lula está escalando um atrito proposital contra o governo Trump, porque ele acredita que isso vai fazer bem para ele nas eleições — diz Eduardo Bolsonaro, acrescentando que Lula "desejou" o tarifaço americano contra produtos brasileiros — O próprio Marco Rubio falou que o Lula não fez nada para evitá-las (...) Agora, Lula também provoca a administração Trump ao não conceder esse visto para esses oficiais americanos. "SEM PRECEDENTES: Trump tira visto de embaixadora brasileira, tudo por conta do ego de Lula que deseja esta briga. Mas lembro: quem paga a conta ê você. Para que isso?", diz o texto que acompanha o post de Eduardo Bolsonaro. Nas redes sociais, parlamentares de partidos de esquerda recuperaram o tema da defesa da soberania ao se manifestarem sobre o caso: "Não tem como chamar de outro nome a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti. As arbitrariedades do governo Trump desconhecem fronteiras e relações diplomáticas. Se engana ao pensar que conseguirá fazer o Brasil se submeter às suas sandices. O Brasil não se entrega", escreveu a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) no X. Já a também deputada federal Maria Rosário (PT) classificou o ato como "inédito" e que agrava a crise diplomática entre os países. "A decisão é inédita na relação entre os dois países e foi considerada, em Brasília, como um sinal de que a Casa Branca irá intensificar a ofensiva para desestabilizar a eleição no país", disse na mesma rede social. Lindbergh Farias, deputado federal do PT, publicou um vídeo nas redes sociais descrevendo o gesto como inaceitável e que Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro estariam "comemorando" a medida que seria uma campanha da extrema-direita contra o Brasil. Glauber Braga, deputado federal do PSOL afirmou que a revogação "é mais uma etapa na pressão que eles estão tocando contra o Brasil. " Dirão que é questão de reciprocidade. Conversa. Reciprocidade boa pra eles é sempre quando a balança está desequilibrada contra a gente", escreveu no X. Já a Direita comparou a medida com a crise diplomática vivida pela Venezuela e o governo americano em 2010. Na época, os países viveram um impasse diplomático após o governo venezuelano de Hugo Chávez rejeitar a indicação de Larry Palmer como embaixador norte-americano em Caracas. Em retaliação, o governo dos EUA revogou o visto do embaixador da Venezuela em Washington, Bernardo Álvarez. "A última vez que os Estados Unidos aplicaram esta medida contra um país do hemisfério foi em dezembro de 2010, contra a Venezuela de Hugo Chávez. O motivo foi exatamente o mesmo: Caracas se recusou a aceitar Larry Palmer como embaixador americano, e Washington cancelou o visto do embaixador venezuelano Bernardo Álvarez Herrera. O resultado? Venezuela e Estados Unidos ficaram uma década inteira sem embaixadores, até a ruptura total das relações. É essa a companhia em que Lula acaba de colocar o Brasil.", escreveu o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo no X. O deputado estadual de São Paulo, Gil Diniz, também citou a crise da época entre os países para comentar sobre a medida a revogação do visto. "Ao repetir a cartilha do regime venezuelano, o governo atual destrói a tradição de pragmatismo da diplomacia brasileira, isola o país no cenário global e transforma a política externa em balcão de birras partidárias", escreveu o bolsonarista no X. Para o deputado federal do PL, Bibo Nunes, o episódio aprofunda a crise diplomática entre o Brasil e os EUA. Na postagem, ele atribui a crise ao governo petista. A decisão da revogação do visto não implica na expulsão da representante diplomática brasileira na capital americana. Segundo o Departamento de Estado, o visto poderá ser restabelecido caso o Brasil dê o aval para que o republicano Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA em Brasília. Parlamentar no estado da Flórida, ele foi indicado para o cargo pelo governo Trump em junho e, há duas semanas, teve o seu nome confirmado no cargo por uma comissão do Senado dos EUA. A indicação de Perez para comandar a embaixada americana ainda precisa passar pelo plenário da Casa. A falta de um aval para o nome de Perez por parte das autoridades brasileira teria motivado a revogação do visto de Viotti. No governo americano, a expectativa era que a aprovação de Perez só ocorrerá após as eleições de outubro. Quem é Daniel Perez? Filho de imigrantes cubanos e presidente da Câmara dos Representantes da Flórida desde 2024, o republicano foi apontado por Trump para o cargo no início de junho deste ano. No final daquele mês, as autoridades americanas enviaram ao Brasil um pedido de "agrément", como é chamado o consentimento prévio concedido pelo país anfitrião para receber o representante diplomático de outra nação. O procedimento adotado pelos americanos inverteu o costume diplomático de primeiro solicitar o consentimento e posteriormente anunciar a indicação do nome do embaixador. Os Estados Unidos estão sem embaixador no Brasil desde a posse de DonaldTrump, que deu início ao seu segundo mandato em janeiro do ano passado. A última diplomata americana a ocupar a função foi Elizabeth Bagley, alinhada ao governo do democrata Joe Biden. Desde então, o principal representante americano no país era o encarregado de negócios Gabriel Escobar. A revogação acontece dias após as autoridades brasileiras decidirem cancelar os vistos de dois funcionários do Departamento de Estado que viriam ao Brasil. A justificativa oficial da visita era discutir liberdade de expressão no contexto das eleições, mas, segundo o jornal americano The Washington Post, os americano Riley M. Barne e Samuel D. Samson pretendiam questionar a integridade do processo eleitoral. Em abril, uma reportagem do The New York Times descreveu Samson, que ocupa o cargo de secretário-assistente adjunto do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, como nome de Trump para a "guerra cultural de Trump contra a Europa". No dia 27 de julho, o blog da Bela Megale revelou que o governo americano preparavam uma resposta ao Brasil após a negativa dos vistos. Entre as medidas que estariam sendo estudadas estavam sanções individuais contra autoridades brasileiras.
Esquerda resgata discurso de soberania após revogação de visto de embaixadora pelos EUA; direita critica 'ego de Lula'
Nomes da direita compararam episódios a revogação de visto de embaixador da Venezuela em Washington em 2010













