Nos meses antes do nascimento do meu filho, minha parceira e eu participamos de um workshop sobre parto ativo, de uma sessão sobre amamentação e do curso pré-natal oferecido pelo hospital, lemos uma pilha de livros sobre gravidez e bebês e navegamos por inúmeros sites. Nossos blocos de notas rapidamente ficaram cheios.
Entre minhas anotações daquela época estão detalhes das muitas formas como o corpo das mulheres se prepara para o parto e a maternidade: os hormônios aumentam e diminuem, os órgãos mudam de posição, o cérebro se remodela.
Ninguém, porém, me disse que meu cérebro e meu corpo também estavam se preparando para a paternidade.
Meu filho tinha mais de um ano quando me deparei pela primeira vez com essa ideia em Father Time, um livro da antropóloga Sarah Blaffer Hrdy no qual ela argumenta que os homens possuem toda a estrutura biológica necessária para serem "tão protetores e cuidadosos quanto a mãe mais dedicada".
Isso despertou minha curiosidade. Sou um defensor convicto da paternidade ativa (em que homens têm grande participação na rotina de criar os filhos), mas imaginava que isso fosse uma decisão cultural da minha geração de homens. O livro de Hrdy, no entanto, me apresentou a todo um campo acadêmico que afirma que nossa abordagem tem raízes na biologia, apenas adormecidas e à espera de serem ativadas.







