0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Lula durante cerimônia no Palácio do Planalto — Foto: Brenno Carvalho/O Globo O ex-assessor do gabinete de Lula no Palácio do Planalto e agora um dos coordenadores da campanha à reeleição, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, é um dos alvos do segundo inquérito em curso na PF para investigar os negócios entre Fabio Luís da Silva, filho do presidente Lula, e Antonio Camilo Antunes, o Careca do INSS. Aberto na semana passada com autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, o inquérito vai apurar possíveis ilícitos cometidos pelo primogênito de Lula para a comercialização de cannabis medicinal. No parecer em que opinou pela abertura da investigação, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, relata que a representação da PF se propõe a apurar suspeitas relativas a um assessor do gabinete presidencial e um servidor do Ministério da Saúde, sem citar nomes. Marcola é esse assessor presidencial, segundo fontes a par do caso confirmaram à equipe da coluna. O assessor de Lula aparece em mensagens trocadas pelos alvos já investigados por envolvimento nas fraudes do INSS, no âmbito da Operação Sem Desconto. De janeiro de 2023 até 21 de julho, ele era o chefe de gabinete do presidente e administrava a agenda de Lula. Ele deixou o cargo para integrar a coordenação da campanha do petista à reeleição. Também estão na mira da PF nesse inquérito servidores do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além do próprio Lulinha. À equipe da coluna, o advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, disse que considera “muito grave” que “setores da PF influenciados pelo bolsonarismo decidam abrir inquéritos com finalidade eleitoral. Se o Fábio Luís não fosse filho do presidente não estava aberta essa investigação”. Procurado, Marco Aurélio Santana Ribeiro não respondeu às mensagens da reportagem. Em nota divulgada no final da noite de segunda-feira e antecipada pelo colunista Lauro Jardim, ele confirmou ter recebido um empréstimo do Careca do INSS e disse que já foi quitado, mas não informou o valor. “Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função". Viagem a Portugal A PF suspeita que Lulinha fosse sócio do Careca do INSS em negócios na área de cannabis medicinal. Os investigadores já sabem que o lobista tentou fechar um contrato milionário com o Ministério da Saúde em 2024 e 2025 para vender medicamentos de canabidiol ao governo. O contrato não foi fechado e as negociações foram interrompidas com a deflagração da Sem Desconto. Em novembro de 2024, Fábio Luís foi a Portugal junto com Camilo Antunes para visitar uma fazenda de canabidiol, segundo Carvalho. De acordo com o advogado, o filho do presidente conheceu uma fábrica de produtos com base em cannabis, mas não gerou vínculos comerciais ou negociações. Carvalho reforçou que Antunes era um empresário "conhecido no ramo farmacêutico". No ano passado, uma testemunha que depôs à CPI do INSS disse que o Careca teria contratado o lobby do filho do presidente para ajudar a conseguir o contrato, o que a defesa de Lulinha nega peremptoriamente. Numa das etapas da Sem Desconto, sobre as fraudes do INSS, a PF apreendeu no celular de uma parceira de negócios do Careca, Roberta Luchsinger, um áudio em que ela explica que os contratos com a Saúde seriam feitos por dispensa de licitação. “É contratação, sim. Ele sabe que é dispensa. É a nova lei das licitações, não sei se você já deu uma lida. Devido ao cenário de emergência, podemos criar um documento bem robusto pedindo a dispensa de licitação”, disse Luchsinger para Antunes, sem explicar quem seria “ele”. Lulinha, como é conhecido o primogênito de Lula, já era investigado em um dos inquéritos que busca esclarecer as fraudes nos descontos de aposentados do INSS. A PF, porém, abriu um novo caminho ao associar possíveis ilícitos na conduta de Fábio Luís na comercialização da cannabis medicinal. Inquérito separado As informações sobre a viagem que Lulinha fez uma viagem à Europa bancada por Antunes no fim de 2024 — portanto, antes de o lobista virar alvo das investigações da PF – constam do primeiro inquérito sobre as fraudes nas aposentadorias. Mas embora os investigadores tenham levantado provas do relacionamento entre os dois, não viram conexões com o caso do INSS e, por isso, pediram uma apuração à parte. Sobre essas apurações, o advogado de Lulinha chamou os pedidos da PF de "pirotecnia" e tentativa ilegal de fazer uma "pesca probatória", uma investigação genérica sem foco específico. O pedido chegou ao STF em um plantão do ministro Alexandre de Moraes na presidência da Corte, durante o recesso do Judiciário e em revezamento com Edson Fachin. Nesse período, a presidência do Supremo decide questões urgentes e também se um determinado gabinete tem ou não preferência para relatar um caso, a chamada prevenção. Como mostrou O GLOBO na semana passada, a PF tentou driblar a distribuição automática do pedido para Mendonça, relator do caso do INSS, e defendeu que um relator fosse sorteado livremente o que ampliou as tensões entre a corporação e o gabinete do ministro. Moraes pediu para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestasse, e Gonet disse concordar com a posição da Polícia Federal de que o novo inquérito tratava sobre fatos diferentes e sem conexão em si, o que descartaria a chamada prevenção. O ministro então determinou que a área técnica do Supremo realizasse o sorteio eletrônico, que acabou selecionando justamente Mendonça, que autorizou a abertura da investigação.
Quem é o assessor de Lula na mira do segundo inquérito da PF sobre Lulinha
Quem é o assessor de Lula na mira do segundo inquérito da PF sobre Lulinha












