A arquitetura e a música preenchiam a casa de Zé Borelli. Dos desenhos magistrais às canções tocadas ao violão, eram tão presentes que viraram heranças de família, transmitidas até na profissão dos filhos — um arquiteto, outro professor de música e instrumentista (além de psicólogo).

Havia uma cumplicidade: com Lucas, o pai compartilhava repertórios e tocava junto; com Tiago, foi parceiro em projetos da Borelli & Merigo, escritório que cofundou em 1978. "A música foi um escape, uma terapia, e ajudava muito na arquitetura, na parte criativa", descreve o filho instrumentista.

A trajetória profissional foi de alguém que conciliou as pranchetas com a academia por décadas. Somente na FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) foram 30 anos até a aposentadoria, em 2016. Na Faap (Fundação Armando Alvares Penteado), ele seguiu até o fim da vida.

No escritório, Borelli trabalhou especialmente com equipamentos públicos de saúde e transporte. A lista inclui os projetos dos hospitais municipais de Cidade Tiradentes e do M'Boi Mirim e do terminal intermodal do Grajaú, na zona sul paulistana, e a renovação do aeroporto de Lubango (Angola).

Também esteve à frente da transformação do antigo prédio do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) no MAC-USP (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo).