O principal adversário de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos é um ex-bolsonarista. Na semana passada, o pastor e deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) anunciou uma proposta ousada: que a direita apoie Lula contra Flávio, caso os dois se enfrentem no segundo turno.
O PT nunca precisou tanto de apoio para intermediar sua relação com evangélicos. Otoni cumpre essa tarefa melhor do que um pastor de esquerda: por se identificar como conservador de direita, suas falas chegam à massa de pentecostais pobres, que têm se distanciado do PT pelas pautas morais.
Nomes como o cantor Leonardo Gonçalves e o pastor Paulo Marcelo sacrificaram suas carreiras ao apoiar Lula em 2022. O que Otoni faz de diferente das lideranças evangélicas que foram canceladas por desafiar o bolsonarismo?
Para começar, Otoni é íntimo do bolsonarismo. Foi vice-líder de Bolsonaro no Congresso, fez parte da tropa de choque do ex-presidente. O rompimento aconteceu em 2024, quando Bolsonaro não o apoiou para concorrer à Prefeitura do Rio.
Assim como outros evangélicos de direita, Otoni viveu a experiência de ser escanteado. A própria escolha de Flávio no lugar de Tarcísio de Freitas —preferido de pastores— exemplifica a percepção de que o bolsonarismo exige mais do que dá a seus aliados.






