Campanha ucraniana contra varejista on-line já gerou prejuízo milionário, além da perda de vidas civis russas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Instalação da empresa de comércio on-line Wildberries em Moscou, que se tornou alvo de ataques da Ucrânia desde julho — Foto: Alexander Nemenov/AFP As Forças Armadas da Ucrânia bombardearam um galpão logístico da gigante do comércio eletrônico Wildberries — considerada a "versão russa da Amazon" — em um ataque entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira, em uma ofensiva que reforça a nova frente de guerra aberta por Kiev contra empresas varejistas russas, a fim de fazer os efeitos do conflito serem sentidos na vida cotidiana. A ação se soma a outros ataques, que miraram embarcações no Mar de Azov e posições dentro do território russo e na região da Ucrânia ocupada. A empresa emitiu um comunicado afirmando que um de seus centros logísticos na região de Vladimir, localizado a cerca de 200 km a leste de Moscou, foi atingido por um ataque ucraniano, que provocou um incêndio na instalação. A companhia afirmou ainda que os funcionários foram retirados do local por razões de segurança, mas não confirmou vítimas. O governador da região, Alexander Avdeiev, por sua vez, disse à imprensa que um jovem teria ficado ferido, e que o ataque teria sido executado com drones. A Ucrânia intensificou nos últimos meses uma campanha que trata publicamente como "sanções de longo alcance" — ataques aéreos muito além das linhas inimigas, com destino prioritário de levar a guerra ao território russo e forçar Moscou a negociar um fim para o conflito. Os ataques contra as instalações da Wildberries, porém, começaram em julho, com uma estimativa de 20 instalações bombardeadas desde então — um levantamento realizado pela rede britânica BBC conseguiu confirmar visualmente ataques a nove instalações, desde 18 de julho. Além do dano direto — apenas a primeira onda de ataques, nas regiões de Moscou e Tambov, entre 17 e 18 de julho, mataram oito pessoas e deixaram quase 90 feridos —, o prejuízo financeiro já é considerável. Em um balanço divulgado na semana passada, a Wildberries afirmou já ter pago mais de 40 milhões de rublos (R$ 2,5 milhões, no câmbio atual) em compensações financeiras apenas a funcionários "gravemente feridos" e famílias daqueles que morreram. O grupo também disse ter pago um auxílio financeiro a mais de 97 mil pequenas e médias empresas e 88 mil comerciantes afetados por perdas materiais decorrentes dos ataques. Drones ucranianos atingem armazéns da gigante russa de comércio eletrônico nos arredores de São Petersburgo — Foto: Reprodução de vídeo Dados publicados pela Forbes Rússia também apontam que os ataques a drone já afetaram — seja com a destruição completa ou com danos menores — entre 17% e 22% da área total de instalações logísticas da empresa em menos de um mês. Estima-se que a Wildberries empregue por volta de 48 mil funcionários, e líderes da empresa afirmam que ela é responsável por 50% do comércio on-line no país. Os ataques diretos somam às empresas russas custos já crescentes, decorrentes de aumentos de impostos, escassez de combustível e interrupção de cadeias de suprimentos. Campanha extensa O foco recente na companhia de varejo on-line não é a única iniciativa de longo alcance ucraniana, que também tem mirado outro perfil de alvo em território russo ou sob controle de forças russas — o que Moscou constantemente denuncia como ataques deliberados contra alvos civis. Autoridades russas informaram nesta segunda-feira que seis pessoas morreram na península da Crimeia e em Krasnodar, no sul do país, dois destinos muito populares no verão, em razão de bombardeios ucranianos. — O inimigo executou um novo ataque noturno contra a República da Crimeia. Infelizmente, há vítimas: três civis morreram e há feridos — afirmou no Telegram o chefe das autoridades locais designado por Moscou, Sergei Aksionov. As outras vítimas, em Krasnodar, teriam sido atingidas por destroços de um drone. O governo regional afirmou que outras 13 pessoas, incluindo crianças, teriam ficado feridas. Moscou anunciou um reforço na defesas a navios nos mares Negro e de Azov, que entraram na mira de ataques frequentes da Ucrânia. Em uma declaração pública no fim de julho, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou os russos de utilizarem rotas navais para transportar remessas de material bélico para o Irã, e vice-versa, denunciando um aprofundamento das relações Moscou-Teerã em temas de segurança e defesa. A Rússia também ampliou sua ofensiva na região. Apenas nesta segunda-feira, as forças russas teriam atacado três navios com suprimentos militares para a Ucrânia, segundo uma comunicação oficial. O bloqueio naval russo no Mar Negro já foi tema de negociações internacionais, por ter cortado o envio ao mercado internacional da produção de grãos ucraniano, ainda no primeiro ano de guerra. (Com AFP)