Reconstrução do Túnel do Tibau busca reduzir mortandade de peixes e melhorar a qualidade ambiental da lagoa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Máquinas iniciam instalação do sistema de bombeamento que manterá a circulação de água entre o mar e a lagoa durante a reconstrução do túnel — Foto: Cláudio Fernandes/Prefeitura Municipal de Niterói Niterói deu início à mobilização para uma das principais intervenções previstas para a recuperação ambiental da Lagoa de Piratininga. A bomba hidráulica que será usada para manter a circulação entre a lagoa e o mar chegou semana passada e começou a ser instalada, etapa preparatória para as obras de reconstrução do Túnel do Tibau. Com investimento previsto de R$ 38 milhões e prazo estimado de 12 meses, a intervenção pretende restabelecer a renovação das águas, reduzindo os episódios de mortandade de peixes e melhorando as condições do ecossistema. As equipes iniciaram a instalação de um emissário provisório que levará água do mar para a lagoa durante a execução das obras. O sistema permitirá manter a circulação hídrica enquanto a comporta existente permanecer fechada para a reconstrução da estrutura. A ligação entre a lagoa e o mar foi construída pelo governo do estado em 2005, mas sofreu um desmoronamento parcial em 2019, comprometendo a troca de águas e agravando problemas como assoreamento e mortandade de peixes. A prefeitura informou que decidiu assumir a execução da obra após anos de espera pela recuperação da estrutura, cuja gestão é estadual. Para o presidente da Associação dos Pescadores Artesanais da Lagoa de Piratininga (Apalap), Luiz Mendonça, a intervenção representa uma expectativa de recuperação da atividade pesqueira. — Quem vive da lagoa esperou por esse momento durante muitos anos. Enquanto muita gente dizia que ela estava perdida, nós continuamos pescando, participando das pesquisas e acreditando na recuperação. Com a renovação das águas, esperamos diminuir as mortandades de peixes, fortalecer a pesca e garantir mais dignidade para quem tira seu sustento desse ecossistema — afirmou. Pesquisadores que acompanham a lagoa também avaliam que a obra pode contribuir para reduzir os impactos ambientais, embora os efeitos sobre a produção pesqueira ainda dependam de monitoramento. Coordenador do Laboratório Ecopesca da Universidade Federal Fluminense (UFF), o professor Cassiano Monteiro Neto explica que os episódios de mortandade comprometem parte importante do ciclo de reprodução dos peixes. — Os eventos de mortandade representam, em média, uma perda de três a quatro meses na produção pesqueira local, porque os peixes mais jovens estão entre os mais afetados. Com maior circulação e oxigenação das águas, esperamos reduzir esses episódios, trazendo mais qualidade ambiental e estabilidade para a pesca — disse. Segundo o pesquisador, ainda não é possível estimar quanto a produção de pescado poderá crescer após a conclusão da obra, mas o monitoramento científico continuará durante toda a intervenção. Enquanto a recuperação do túnel era aguardada, pesquisadores da UFF e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), pescadores e moradores participaram de ações para monitorar e minimizar os impactos ambientais da lagoa. Dados do projeto de Automonitoramento Assistido da Pesca indicam que, apenas no primeiro quadrimestre de 2025, foram registradas cerca de sete toneladas de pescado, demonstrando que o sistema lagunar manteve sua capacidade produtiva apesar das dificuldades ambientais. Ações paralelas A prefeitura também destaca outras iniciativas voltadas à recuperação da lagoa, como o programa Ligado na Rede, que, segundo o município, já evitou o lançamento mensal de mais de 20,8 milhões de litros de esgoto no sistema lagunar por meio da ligação gratuita de imóveis de baixa renda à rede de coleta. Desde o início do programa, 951 imóveis foram beneficiados em comunidades da Região Oceânica, de acordo com a administração da cidade. Outras ações incluem a retirada de resíduos das margens da lagoa, a renaturalização do Rio Jacaré e a implantação do Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis, que reúne jardins filtrantes, ciclovia, áreas de lazer e equipamentos voltados à preservação ambiental. Ao comentar o início da intervenção, o prefeito Rodrigo Neves lembra que a prefeitura decidiu assumir a execução da obra após anos de espera pela recuperação da estrutura: — Mesmo com a obra contratada, aguardamos mais de um ano pela licença ambiental e conseguimos graças ao governador Ricardo Couto. Agora podemos iniciar uma intervenção fundamental para melhorar a circulação das águas, reduzir os impactos ambientais e fortalecer todo o trabalho de recuperação que já vem sendo realizado.
Lagoa de Piratininga, em Niterói, recebe obra de R$ 38 milhões
Reconstrução do Túnel do Tibau busca reduzir mortandade de peixes e melhorar a qualidade ambiental da lagoa






