Responsáveis por 0,7% da matriz energética, geradores emitem tanto quanto uma cidade de 2,4 milhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Projeto instalou painéis solares em Vila Restauração (AC). Agora, moradores têm acesso a eletricidade 24 horas — Foto: Divulgação/Grupo Energisa O Ministério de Minas e Energia estima que, no ano passado, os geradores a diesel e óleo combustível, a maioria usados por comunidades isoladas na Amazônia, emitiram 2,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂), um dos principais gases de efeito estufa causadores do aquecimento global. A pequena participação dos dois combustíveis na geração de eletricidade no Brasil (0,7%) ganha outra dimensão quando se calcula quanto eles significam em CO₂ injetado na atmosfera — 4,8 milhões de toneladas anuais, o equivalente a uma cidade com 2,4 milhões de habitantes, metade dela situada dentro da Floresta Amazônica. Na pequena comunidade de Vila Restauração, às margens do Rio Tejo, no Acre, o gerador a diesel foi substituído por uma pequena usina que reúne painéis solares, baterias de íons de lítio e geradores a biodiesel, como relatou reportagem do GLOBO. Antes, havia energia elétrica apenas durante três horas por dia. Depois, tudo passou a funcionar como em qualquer cidade. O posto de saúde começou a armazenar vacinas e outros medicamentos com segurança, o comércio se equipou com geladeiras e freezers, o acesso permanente à internet ajudou a escola e permitiu uso mais amplo de serviços bancários e pagamentos por via eletrônica. O custo de R$ 20 milhões dessas mudanças é irrisório diante da melhoria na qualidade de vida no vilarejo. O projeto foi executado entre 2019 e 2021 pela Energisa Acre, uma distribuidora privada, e financiado com recursos dos programas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e de Eficiência Energética (PEE), regulados e fiscalizados pela agência do setor elétrico, Aneel. Em 2023, o governo lançou outra iniciativa, o Programa Energias da Amazônia, cuja meta é implantar em até 160 localidades — que abrigam 2 milhões dos habitantes hoje dependentes de geradores movidos a combustíveis fósseis — modelos semelhantes ao de Vila Restauração. Para isso, será necessário forte apoio logístico. Para iluminar Vila Restauração, foi necessário transportar 200 toneladas em equipamentos por rodovias e rios amazônicos. Só de navegação, foram sete dias. Há potencial de avanços semelhantes no meio rural. A depender da atividade, dejetos de animais podem ser transformados em biogás por meio de biodigestores, cujos rejeitos podem ser usados como fertilizante. O aumento da produção de proteína animal no país para exportação amplia as oportunidades de uso dessa tecnologia no campo, segundo Felipe Marques, diretor-presidente da CIBiogás. O peso das hidrelétricas na geração de energia tem caído — elas responderam por 52% da energia gerada no país no ano passado, ante 64% em 2015. A geração eólica deu no período um salto de 3,5% para 15%, e a solar, praticamente inexistente há dez anos, passou a responder por 11,4% do total. Somadas, as fontes renováveis aumentaram seu peso de 75,5% para 86,8% na matriz energética brasileira. Elas precisam ter papel determinante na substituição integral, o mais rápido possível, da geração a diesel e óleo combustível.