Incontáveis jovens homens saindo do mar, soldados armados, cercas de aço. As imagens de Ceuta que circularam na semana passada mostram a crise migratória no norte da África que levou à morte, ao menos, de 72 pessoas.

Em 24 horas, entre 50 mil e 60 mil tentaram cruzar a fronteira do Marrocos para a Espanha. E os dois pequenos territórios espanhóis no norte da África, Ceuta e Melilla, voltaram ao centro do debate sobre imigração.

Eles costumam ser citadas como portas de entrada da Europa para africanos. Algumas análises têm se esforçado, felizmente, para mostrar mais das duas cidades com fundamental importância geopolítica há 2.000 anos.

Procurei a jornalista Fernanda Papa, amiga que viveu em Melilla entre 2022 e 2023, com um olhar aguçado para questões internacionais e de direitos humanos. Generosamente, ela compartilhou fotografias, vídeos e áudios que ofereceram insumos para esta coluna.

Melilla, séculos antes da criação do Estado marroquino moderno, foi incorporada pela coroa espanhola em 1497. Ceuta, conquistada por Portugal em 1415, foi incorporada à Espanha no século 17. Ambas continuam pertencendo à Espanha mesmo depois do fim do império colonial, quando a maior parte das possessões ultramarinas europeias desapareceu dos mapas.