Não é de hoje que mulheres dominam mistérios. Nos anos 1920, depois de Edgar Allan Poe e Arthur Conan Doyle definirem o gênero, Agatha Christie mudou a literatura como a "rainha do crime". Suas investigações tomaram o mundo doméstico e aprofundaram figuras femininas, fossem elas detetives brilhantes, fossem criminosas frias e calculistas.
Hoje, a dualidade define sucessos como "A Empregada", best-seller de Freida McFadden que dominou as bilheterias com uma adaptação estrelada por Sydney Sweeney, e "Verity", hit de Colleen Hoover que chega às telonas em outubro. Já no teatro, o musical "7 Mulheres e um Mistério", em cartaz no 033 Rooftop, em São Paulo, reforça a irreverência das mulheres cercadas de mortes.
Baseada em "8 Mulheres", peça do francês Robert Thomas que virou um clássico da comédia policial, a produção leva o caos a uma mansão após o assassinato do patriarca. O crime coincide com o retorno da filha mais velha, a vinda de uma desconhecida e dramas de um grupo que busca respostas, amores correspondidos, independência financeira e, no caso da avó ranzinza, se embriagar com um bom uísque.
São intrigas que, desde o original, não exigem a presença de homens —aqui, as atrizes interagem só com a porta do quarto que esconde o corpo— e ironizam caricaturas de gênero e de classes sociais. A estratégia rendeu prêmios a François Ozon em 2002, quando o diretor levou a trama aos cinemas e reuniu músicas famosas e um elenco liderado por Catherine Deneuve e Isabelle Huppert.







