"Segue, segue, segue! Acelera, não para, vai!", gritou o policial rodoviário federal no rádio da viatura, enquanto flechas e pedras batiam na lataria do veículo e a poeira da estrada de terra dificultava a visão.
Era tarde de 10 de maio quando o comboio da PRF deixou em alta velocidade a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.
Do lado de fora, indígenas armados com flechas de mais de um metro e pedras avançavam a pé e em motocicletas, tentando atingir as 15 viaturas. Uma flecha ficou cravada na traseira de um dos carros, e pedras quebraram vidros de outro veículo. Para abrir passagem, os policiais dispararam balas de borracha.
O garimpo na amazônia mudou nos últimos anos. A atividade migrou para outros territórios para tentar driblar o aperto na fiscalização, se adaptou para atuar em áreas subterrâneas e criou novas rotas de lavagem e de exportação do ouro. No caminho, afetou a dinâmica de terras indígenas e provocou conflitos entre povos que vivem ali.
A Folha teve acesso a investigações, relatórios de inteligência e documentos que descrevem a atuação de facções, milícias e empresários ligados ao mercado financeiro nas áreas de extração de ouro, relatados numa série de reportagens sobre a nova cara do garimpo ilegal.








