Brasília, palavra que carrega em seu nome um pouco de Brasil, é também o ponto de partida da história de Regina Helena Vieira da Silva. Muito antes de a capital federal existir, a antiga Brasília de Minas, cidade mineira desde o século 19, já havia dado ao país uma mulher que, à primeira vista, poderia parecer apenas mais uma entre as mais de 200 mil brasileiras chamadas Regina.
Ainda na infância, teve acesso à escola apenas até o ensino primário. Depois, precisou ajudar os pais no sustento da casa junto aos seis irmãos. Mais tarde, mudou-se para Montes Claros, onde trabalhou como empregada doméstica e conheceu o homem com quem construiria uma família.
Já casada e mãe de três filhos, percorreu cerca de mil quilômetros até o interior de São Paulo em busca de melhores condições de vida. Em Paulínia, fincou raízes e viveu por mais de quatro décadas.
Passou a vida cuidando de famílias enquanto construía a própria. Dizia que, se sua história virasse um filme, faria todos chorarem. Não era exagero. Depois de passar fome na infância, prometeu a si mesma que nenhum dos seus enfrentaria a mesma privação. Para cumprir essa promessa, chegou a trabalhar em três casas ao mesmo tempo.
Pontual por convicção, mantinha todos os relógios da casa cinco minutos adiantados para nunca se atrasar. Dona de um humor afiado, era fã de programas de fofoca, das canções de Roberto Carlos e de cintos e saias coloridos, sempre cuidadosamente combinados.






