No ritmo cadenciado do cordel, com a marca da oralidade da tradição nordestina, as mulheres são protagonistas das lutas que consolidaram a Independência do Brasil. Empunham crucifixos, erguem espingardas e castigam os oponentes com o ardor das folhas de cansanção.

Em "Heroínas da Independência", a escritora e roteirista Manuela Dias transforma em versos as trajetórias de Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica, mulheres que personificam a participação popular nas lutas pela emancipação do Brasil, que se estenderam na Bahia até 2 de julho de 1823.

O livro publicado pela editora Voante será lançado às 15h deste sábado (18) na livraria Terra Libris, em Salvador, e no sábado seguinte (25) em São Paulo. A obra foi desenvolvida a partir da pesquisa para um longa-metragem de Manuela Dias em parceria com o ator e diretor Antônio Pitanga.

Na Bahia, as marcas do 2 de julho são profundas. O historiador Ubiratan Castro de Araújo costumava relembrar uma frase comum no século 19, sempre repetida em tom solene. "Maior que o Dois de Julho? Só Deus!", diziam os baianos ao exaltar a grandeza da data.

Este pedaço importante da história, contudo, por décadas permaneceu nas notas de rodapé dos livros didáticos em uma historiografia construída a partir do Grito do Ipiranga, tendo d. Pedro 1º como protagonista e o 7 de setembro como data-símbolo da conquista da independência.