É comum que, ao crescer, crianças moldem sonhos e atitudes a partir do mundo que as cerca. Mas, de vez em quando, esse fluxo também se inverte. Na família de Henrique Rocha, 22, foi o filho que virou referência dentro de casa. Ao vê-lo atravessar as portas de uma universidade de elite, os pais passaram a considerar a própria volta aos estudos.
Primeiro da família a entrar no ensino superior, o estudante conseguiu uma bolsa no Insper, uma das faculdades mais caras do país. Ele só não imaginava que puxaria outros. Inspirada pelo filho, a mãe, Vanessa Rocha, 47, técnica de enfermagem, decidiu buscar a graduação na área. Em seguida, o irmão gêmeo ingressou em arquitetura.
Diante do movimento dentro de casa, o pai, operador de estoque há quase três décadas, enfrentou a insegurança de ter estudado apenas até o sexto ano. Decidiu voltar à sala de aula pelo EJA (Educação de Jovens e Adultos) e planeja se tornar eletricista para deixar a função atual.
No levantamento interno do Insper, casos como o de Henrique também foram relatados entre bolsistas. A cada 100 estudantes, 34 têm familiares que decidiram retomar os estudos por influência direta deles. Entre bolsistas pretos e pardos, o índice sobe para 72 a cada 100.









