Por volta das 9h de uma terça-feira, quem passasse pela rua Conselheiro Ramalho, no bairro do Bixiga, na região central de São Paulo, provavelmente ouviria o som de luvas batendo em um saco de areia, seguido por incentivos incansáveis de um professor.
"Mais rápido. Mão no rosto. Jab [soco]. Direto. Quatro retos. Gancho. Bora, sem parar. Rápido e forte", repetia Wellinton Souza.
Nada incomum para uma aula de boxe. Exceto pelo fato de que, ao lado de Wellinton, quem repetia "estou cansada" e "não aguento mais" era uma mulher de 73 anos que usava meias de compressão e um aplique de coque grisalho no cabelo.
Com uniforme e luvas azuis, dona Azul, como é conhecida a sergipana Maria Alaíde, fazia um de seus treinos semanais, que acontecem toda terça e quinta há mais de um ano no local.
Ela faz parte de uma iniciativa da Amuv (Associação de Mulheres Unidos Venceremos) e da Casa Mestre Ananias para estimular a socialização e melhorar a autoestima de mulheres idosas do bairro.












