As multas são resultado de um grupo de trabalho criado pela Fazenda em setembro do ano passado para dimensionar o alcance da fraude investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec). Segundo o MP, auditores fiscais favoreciam grandes empresas em processos relacionados ao ressarcimento de créditos de ICMS em troca do pagamento de propinas. Somadas, as multas aplicadas diretamente às duas companhias chegam a R$ 2.868.821.141,02. O órgão não informou qual das autuações corresponde à Ultrafarma e qual se refere à Fast Shop. Além disso, uma das frentes de investigação também resultou em autuações contra empresas de terceiros que receberam operações consideradas irregulares pela fiscalização. Neste caso, foram aplicados outros R$ 947.186.041,23 em multas. O g1 procurou as empresas, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Como os valores foram calculados Segundo a Secretaria da Fazenda, as autuações foram divididas conforme as diferentes irregularidades identificadas durante a investigação. Uma das empresas recebeu uma única autuação, elaborada pelo chamado Grupo de Trabalho Refazimento (G29), no valor de R$ 1.478.851.142,97. Já a segunda empresa foi autuada três vezes: Grupo de Trabalho Refazimento (G29): R$ 358.006.579,37;Grupo de Trabalho Transferências para Terceiros (na condição de emitente): R$ 476.087.113,00;Grupo de Trabalho Créditos Escriturados (outros créditos): R$ 555.876.305,68;Somadas, essas três autuações totalizam R$ 1.389.969.998,05. Investigação começou com operação do MP Na ocasião, o Ministério Público cumpriu mandados de prisão temporária contra um auditor fiscal apontado como operador do esquema e dois empresários ligados às empresas beneficiadas por decisões fiscais consideradas irregulares. Também foram executados mandados de busca e apreensão em residências dos investigados e nas sedes das companhias. De acordo com a investigação, o esquema atuava sobre pedidos de ressarcimento de créditos de ICMS. Esses créditos surgem em determinadas operações previstas na legislação tributária e podem ser utilizados pelas empresas para compensar impostos ou solicitar ressarcimentos ao Estado. A suspeita do Ministério Público é que processos administrativos eram manipulados para acelerar ou facilitar a liberação desses valores, inclusive com créditos supostamente inflados, mediante o pagamento de propina a integrantes da Secretaria da Fazenda. LEIA TAMBÉM: Após a Operação Ícaro, as investigações avançaram em outras duas fases: Em março de 2026, a Operação Mágico de Oz cumpriu 20 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária em São Paulo, Osasco, Valinhos e Tupi Paulista. A ação também resultou no afastamento de auditores fiscais e de um vice-prefeito suspeito de participação no esquema. Poucos dias depois, a Operação Fisco Paralelo realizou 22 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos. Os alvos incluíam servidores de unidades estratégicas da Secretaria da Fazenda, como as Delegacias Regionais Tributárias da Lapa, Butantã, ABCD e Osasco, além da Diretoria de Fiscalização. Segundo o Ministério Público, 16 servidores da Fazenda, entre ativos e aposentados, figuravam entre os principais investigados. Principais investigados Os ex-auditores fiscais de São Paulo Artur Gomes da Silva Neto, Alberto Toshio Murakami e Paulo Sérgio Siqueira do Prado. — Foto: Montagem/g1/Reprodução/TV Globo Entre os principais alvos da investigação está o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como "King". Segundo o Ministério Público, ele é apontado como um dos mentores da organização criminosa, responsável por articular a distribuição de processos administrativos entre auditores para favorecer empresas em troca de propina. De acordo com a denúncia apresentada à Justiça, Artur teria recebido R$ 383,6 milhões em propinas e movimentado mais de R$ 1 bilhão dentro do esquema. Outro investigado é o auditor fiscal aposentado Alberto Toshio Murakami, conhecido como "Americano". Segundo o MP, ele emitia pareceres favoráveis para acelerar a liberação de créditos de ICMS a empresas como a Ultrafarma em troca de vantagens indevidas. Desde agosto de 2025, ele é considerado foragido e, em janeiro de 2026, passou a integrar a lista de Difusão Vermelha da Interpol. A investigação aponta que ele vive nos Estados Unidos. Também é investigado o ex-delegado tributário Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como "PP". Segundo o Ministério Público, ele fazia a ligação entre Artur Gomes da Silva Neto e Alberto Murakami dentro da Secretaria da Fazenda.
Governo de SP multa em quase R$ 3 bilhões Ultrafarma e Fastshop após apuração da Fazenda e investigação do Ministério Público | G1
Autuações decorrem da Operação Ícaro, deflagrada pelo MP em agosto de 2025 para investigar suposto esquema de corrupção envolvendo servidores da Secretaria da Fazenda e grandes empresas do varejo.








