O sucesso da terapia antirretroviral, que transformou o HIV de sentença de morte em condição crônica, criou um problema que os sistemas de saúde do mundo ainda não sabem enfrentar: uma geração inteira envelhecendo com o vírus, e com corpos que envelhecem mais rápido do que deveriam.
Até 2040, estima-se que haverá 20,2 milhões de pessoas com 50 anos ou mais vivendo com HIV, 51% de todas as pessoas com o vírus, ante 29% em 2025, aponta relatório de uma comissão da revista The Lancet HIV, formada por mais de 30 pesquisadores de instituições como Yale, Johns Hopkins, Fiocruz e OMS (Organização Mundial da Saúde), divulgado durante o congresso internacional de Aids, que termina nesta sexta (31), no Rio de Janeiro.
A maioria dessas pessoas (96%) estará vivendo em países de baixa ou média renda, como o Brasil, e é fundamental que recebam cuidado integrado e abrangente. Em entrevista à Folha por email, Amy Justice e Keri Althoff, autoras principais do relatório, lembram que, à medida que a prevalência do HIV entre pessoas mais velhas aumenta, a incidência também aumentará.
Um dos achados mais contundentes do relatório é sobre a diferença entre idade cronológica e fisiológica: aos 65 anos, uma pessoa com HIV tem expectativa de sobrevida equivalente a alguém 13,5 anos mais velho (homens) ou 11,6 anos mais velho (mulheres).













