* Por Lígia Lopes

A biometria facial se consolidou como símbolo da digitalização do sistema financeiro brasileiro. A abertura de contas ficou mais rápida, a experiência do usuário melhorou e as exigências de identificação passaram a ser atendidas de forma prática. O problema é que eficiência operacional não significa, necessariamente, proteção contra fraudes.

Existe hoje um paradoxo no onboarding financeiro: a tecnologia mais associada à conformidade regulatória não é, necessariamente, a mais eficaz para identificar riscos. Segundo análises da Serasa Experian, 56% das fraudes detectadas no mercado financeiro brasileiro são identificadas por inconsistências cadastrais, como informações incompatíveis de renda, endereço ou histórico financeiro. São sinais que uma selfie simplesmente não captura.

A biometria facial responde a uma pergunta importante: a pessoa é quem diz ser? Ela verifica a correspondência entre rosto e documento, detecta tentativas básicas de fraude e confirma a presença de um usuário real. Mas, o desafio atual do setor financeiro vai além da autenticação da identidade.

Grande parte das fraudes contemporâneas ocorre com documentos legítimos, CPFs válidos e identidades reais. O problema está no contexto. É nesse espaço que surgem inconsistências que revelam riscos ocultos, mas que permanecem invisíveis para sistemas focados apenas na validação biométrica.