Como seria um disco do Ludovic hoje, 20 anos depois do anterior? Responder a esta pergunta, que Jair Naves, o vocalista da banda, se fez como uma fantasia, foi um dos impulsos para o grupo se trancar no estúdio e gravar "Ludovic", seu terceiro álbum.

"Eu acho que a gente não aguentava mais tocar as músicas antigas", diz, em tom de brincadeira, o guitarrista Zeek Underwood. Muito aguardado por fãs —pegos meio de surpresa com a notícia de que havia músicas inéditas sendo compostas pela banda—, o disco novo chega nesta sexta-feira ao streaming.

São 42 minutos de rock rasgado com o espírito dos anos 1990, em dez faixas, precedidas por uma introdução instrumental. É o mesmo Ludovic dos discos "Servil", de 2004, e "Idioma Morto", de 2006, se considerarmos as guitarras viscerais e as letras algo filosóficas, que pedem repetidas audições para se mergulhar na poesia de Naves —"meu nome só tem consoantes/ de uma estridência dissonante/ o som mais desconcertante/ que alguém já pôde ouvir", canta ele em "Nenhum Carma".

Mas o novo trabalho é também a radiografia de uma banda atualizada, com os integrantes duas décadas mais maduros, mais sábios como músicos. Isso se reflete em composições ricas em detalhes, ressaltados pela produção limpa, cristalina, que recompensa quem ouve o álbum nos fones de ouvido.