PUBLICIDADE Agora octogenários, Mick Jagger e Keith Richards se juntam a Ron Wood, de 79, em disco que nasceu de um surto criativo. ‘Espontaneidade é a palavra-chave aqui’, diz Wood 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mick Jagger (à esq.), Keith Richards e Ronnie Wood, os Rolling Stones — Foto: Divulgação/Kevin Mazur RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Novo álbum conta com participações de peso como Paul McCartney, Robert Smith e traz uma gravação inédita de 2021 com o falecido baterista Charlie Watts na faixa "Hit me in the head". Trabalho traz críticas sociais e políticas diretas, incluindo ataques a autocratas e uma menção explícita ao bilionário Elon Musk na faixa "Mr Charm", onde ele é chamado de "o magnata louco Sr. Musk". CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO E eles fizeram de novo. Três anos após “Hackney Diamonds” — seu primeiro álbum de inéditas em 18 anos —, os fundadores Mick Jagger e Keith Richards (ambos de 82 anos de idade) e o veterano integrante Ron Wood (79 anos, 51 deles na banda) pariram mais uma coleção de faixas novas do grupo inglês The Rolling Stones. Desde a 0h desta sexta-feira em sua completude no streaming, “Foreign Tongues” chega como um disco que em nada desmerece (mas tampouco faz avançar) o legado dos Stones, servindo, mais do que tudo, como prova de vitalidade (e de um certo inconformismo) daquela que, por um bom tempo, foi a maior banda de rock’n’roll do planeta Terra. Com irreverente capa do artista plástico americano Nathaniel Mary Quinn (um monstro criado a partir de pedaços dos rostos dos integrantes, que a alguns brasileiros lembrou velhas capas de discos de Biquíni Cavadão e Fevers), o novo álbum dos Rolling Stones surgiu de um surto criativo que eles tiveram, ao longo de um mês, no Metropolis Studios, em Londres. Na verdade, foi tudo bem parecido com “Hackney Diamonds”: sob a batuta do produtor Andrew Watt, Jagger (vocais e gaita), Richards e Woods (guitarras) deixaram fluir as ideias, com o apoio de Darryl Jones (baixo) e de Steven Jordan — o baterista que substituiu Charlie Watts, integrante desde 1963 e que morreu em 2021. Capa de ‘Foreign Tongues’, álbum do grupo inglês The Rolling Stones — Foto: Reprodução “Espontaneidade é a palavra-chave aqui, porque pegamos a ideia básica de uma música e, desde que o resultado voltasse àquela ideia inicial, estava tudo certo, você podia fazer o que quisesse”, explicou Ron Wood em entrevista ao programa do DJ Zane Lowe, da Apple Music. Na mesma entrevista, Keith Richards acrescentou: “A única coisa contra a qual você luta é a acústica da sala e a própria música (...) Foi divertido fazer (esse disco).” Releituras de canções alheias, de Amy Winehouse (“You know I’m no good”) e Chuck Berry (“Beautiful Delilah”), são exceções entre as 14 faixas de “Foreign tongues”, nas quais predominam as inéditas em que a banda manda alguns recados. Enquanto “Ringing Hollow” soa como expressão do desencanto desses ingleses com os Estados Unidos pelo qual eram fascinados, e que os acolheu no começo do sucesso, em “Divine intervention” Jagger fala de “bilionários correndo, se escondendo em seus esconderijos no céu”. Já em “Covered in you”, o cantor denuncia: “Acordo farto de todos esses autocratas / sabe, eles parecem estar se reproduzindo como um enxame de ratos imundos com seus mísseis em desfile.” Ele não chega a mencionar o presidente americano Donald Trump em nenhuma música, mas ataca um nome que, na campanha eleitoral e no início de seu governo, foi seu aliado, o trilionário Elon Musk em “Mr Charm”, chamando-o de “o magnata louco Sr. Musk”. Participações de amigos como Paul McCartney, Steve Winwood, Chad Smith (baterista do Red Hot Chili Peppers), Bruno Mars (tocando cowbell) e Robert Smith (líder do Cure, nos teclados de “Never wanna lose you”) dão gosto de festa a “Foreign Tongues”, disco que ainda traz uma última participação de Charlie Watts — no rock “Hit me in the head”, gravado em 2021, uma despedida bem como ele provavelmente gostaria que fosse feita.