Poucas bandas desafiaram tanto a lógica da longevidade quanto os Rolling Stones. Durante décadas, a pergunta nunca foi se haveria um último disco, mas quando ele chegaria. A morte de Charlie Watts, em 2021, parecia encerrar definitivamente essa história, mas o grupo encontrou um inesperado segundo fôlego com "Hackney Diamonds", de 2023.

Como sempre, foi recebido como seu melhor trabalho em muitos anos, uma reação afetiva comum a cada novo lançamento da banda, mesmo que depois algumas edições revelem que o disco não é tão bom quanto as pessoas pensavam. Mas "Foreign Tongues", que chega às plataformas nesta sexta (10), pouco mais de dois anos depois, pode indicar que talvez os Stones tenham encontrado motivação sólida para seguir em frente.

O grande mérito do disco é justamente evitar o peso da nostalgia. Em vez de montar uma coleção de autorreferências, a banda mistura elementos que sempre fizeram parte de seu repertório, como blues, rock, country, soul, disco e baladas, sem deixar que a habitualmente medíocre produção de Andrew Watt tire a personalidade dos Stones.

Há momentos em que a mixagem privilegia graves exagerados e comprime excessivamente os instrumentos, mas, no conjunto, Watt consegue transmitir a sensação de que os músicos estão realmente tocando juntos, algo que muitas vezes desaparecia em trabalhos mais recentes.A abertura com "Rough and Twisted" mostra um rock vigoroso, construído sobre referências ao blues de Chicago e à tradição que moldou a banda. A música não tenta reinventar a roda, mas lembra por que os Stones continuam sendo uma referência quando se trata de transformar simplicidade em energia.