Três anos após seu último álbum de inéditas, os veteranos Mick Jagger, Keith Richards e Ron Wood dão prova de vitalidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Capa de ‘Foreign Tongues’, álbum do grupo inglês The Rolling Stones — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Álbum conta com 14 inéditas, incluindo a última gravação do baterista Charlie Watts, falecido em 2021, e participações especiais como a de Robert Smith, líder do The Cure, e de Paul McCartney. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Mais de 60 anos após a sua fundação, o legado da banda inglesa The Rolling Stones , nome central da história do rock, continua a crescer. Desta vez, com “Foreign Tongues”, disco lançado no primeiro minuto desta sexta-feira. Três anos após “Hackney Diamonds” — seu primeiro álbum de inéditas em 18 anos —, os fundadores Mick Jagger e Keith Richards (ambos de 82 anos de idade) e o veterano integrante Ron Wood (79 anos, 51 deles na banda) pariram mais uma coleção de faixas novas, 14 ao todo, cuja análise pode ser conferida abaixo. “Rough and twisted”. Explosivo blues-rock, com guitarra slide, gaita, piano e um Mick Jagger nos cascos: “Tudo o que eu bebi foi água barrenta.” Belo cartão de visitas do disco, com som cheio e poderoso, mas ainda bem sujo. “In the stars”. A banda tira um pouco o pé do acelerador num rock um pouco mais polido e romântico, mas ainda forte nas guitarras e com refrão memorável: “Então, você quer dançar até o teto desabar?/ sim, até as guitarras gritarem e o coral continuar cantando.” “Jealous lover”. Um saboroso falsete brinda essa brilhante canção de sabor soul e arranjo deliciosamente yatch rock. O cantor não se segura nos gritinhos em seus apelos para que a amante ciumenta o deixe ser quem é e seguir a vida em paz. “Mr Charm”. “Posso te mostrar lugares que você nunca viu”, promete o sedutor vocalista nesse rock de pulsação stoniana, pré-punk e sonoridade bem contemporânea, moldada para ocupar todos os espaços da sala. Na letra, Jagger não chega a mencionar nominalmente o presidente Donald Trump, mas ataca um de seus aliados, o trilionário Elon Musk, chamando-o de “o magnata louco Sr. Musk”. “Divine intervention”. Eis o que se poderia chamar de um rock básico modelo anos 1980, que lembra tanto Replacements ou um bom Bruce Springsteen, com guitarras dançando no estéreo e um refrão porreta: “Intervenção divina/ está fora de cogitação/ vou dançar nas chamas!” O cantor manda bala nos “bilionários, todos correndo, se escondendo em seus esconderijos no céu”. “Ringing hollow”. Pausa para o country rock mais dolente e cadenciado, no estilo do velho amigo Gram Parsons, com letra saudosista e crítica aos atuais rumos dos EUA: “Eu assistia a todos os seus filmes/Eu fumava seus cigarros.” Mas agora, canta Jagger, “a Estátua da Liberdade não fica nada bem de cara feia”. “Never wanna lose you”. Décadas depois de “Miss you”, os Stones voltam a tentar — com bons resultados — uma mistura de rock guitarreiro e disco music buliçosa. Quem faz participação, nos teclados, é Robert Smith, líder da banda inglesa The Cure. Mick Jagger (à esq.), Keith Richards e Ronnie Wood, os Rolling Stones — Foto: Divulgação/Kevin Mazur “You know I’m no good”. Sem fazer força, os Stones encontram seu caminho pela canção de Amy Winehouse: são almas gêmeas que se encontram. “Some of us”. Keith Richards canaliza seu Bob Dylan interior ao assumir os vocais principais desse sofrido e belo folk rock. “Alguns de nós estão de joelhos”, avisa. “Covered in you”. Um injuriado quase rap de Mick Jagger (“acordo farto de todos esses autocratas / sabe, eles parecem estar se reproduzindo como um enxame de ratos imundos com seus mísseis em desfile”) tempera esse rock, que poderia perfeitamente estar em um disco dos anos 1980 da banda. “Side effects”. “Há um preço a pagar por tudo/ por tudo o que você injeta nas veias” — reflexões sobre o passado de abusos químicos, num rock padrão. “Back in your life”. Baladão intenso, bem lá para os lados de “Angie”, com triste apelo: “O que eu preciso pra voltar pra sua vida?/ odeio perder uma amizade.” “Beautiful Delilah”. Blues acústico, de Chuck Berry, em registro baixa-fidelidade, ideal para encerrar esse disco em que os Stones se esmeraram em ser Stones.