Esta segunda-feira, cantor anunciou o primeiro show do disco, lançado após afastamento de cena por um ano e meio: será dia 25/09, no Nubank Parque, em São Paulo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Detalhe da capa de 'Memórias póstumas', álbum do cantor Jão — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Após um hiato de um ano e meio marcado pelo luto, Jão lança um álbum mais maduro e confessional. O trabalho se afasta do pop tradicional do cantor. O artista anunciou o primeiro show da nova turnê para setembro, em São Paulo. A identidade visual do disco foi assinada pelo fotógrafo francês Hugo Comte. Inspirado na obra de Machado de Assis, o repertório traz baladas intimistas e reflexões profundas. Destacam-se faixas que mesclam melancolia, ironia e arranjos de orquestra. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Lançado no domingo, com uma audição, para fãs, no Vale do Anhagabaú, em São Paulo, “Memórias Póstumas”, o primeiro álbum do cantor Jão após um hiato de um ano e meio (período que acabou sendo marcado pela perda repentina de seu pai), pôs novamente em movimento a roda de um dos artistas de maior sucesso do pop brasileiro mais recente: esta segunda-feira, o cantor anunciou o primeiro show do disco, dia 25/09, no Nubank Parque, em São Paulo (a venda geral de de ingressos começa na quinta-feira). Repleto de canções lentas, sentidas, confessioniais e ricamante ornamentadas, esse disco de homem crescido e vivido (aos 31 anos de idade) o afastou um tanto do Jão pop de outros tempos, oferecendo novas opções para o seu público, que cresce junto com ele. Abaixo, um faixa a faixa de “Memórias póstumas”, disco que pegou seu título de um clássico romance de Machado de Assis e que tem na capa uma foto de Jâo tirada pelo francês Hugo Comte (responsável identidade visual do álbum “Future Nostalgia”, da cantora Dua Lipa): “Catedral”. “A morte já me levou tanto / e ainda pede mais”, canta Jão nessa faixa que é bem mais reflexão do que lamento. Nesse rock esperançoso, mais adulto do que de costume, ele de certa forma dá a ficha do que vem pelo resto do disco: a busca por expressar poetica e musicalmente a complexidade dos sentimentos que o invadiram nos últimos meses. “O amor”. “Eu acho horrível e bonito que o amor não escolhe pra onde vai”: violão e orquestra cuidam de embalar, com luxo, a viagem filosófica do artista a partir desta que é uma das mais humanas entre as questões humanas. O Jão pop ainda está longe dos ouvidos nesse pedaço de disco. “Aurora”. “Eu só quero ser feliz de novo / sem punir meus olhos por sorrir” — mais uma etapa da caminhada do artista pelo luto, fielmente documentada nesse início de disco. Até aqui, menos do que canções, o que se ouve é uma trilha musical para as impressões de Jão. “Por você”. Puxada por violões e beats, surge enfim a primeira canção bem formada de “Memórias póstumas”, sem interromper, no entanto, o fluxo narrativo do disco. Uma daquelas músicas que amor com bom refrão que os fãs cantarão emocionados nos shows. “Literatura”. Faixa exemplar da capacidade de Jão em combinar beleza e tristeza enquanto conta uma história. “A vida é linda, mas prefiro ainda literatura”, resume ele, mostrando não ter perdido a velha ironia em sua nova fase. “Eu sempre volto”. A abertura, primor de pop barroco, dá a pista de que se trata de uma faixa invulgar. E é mesmo: Jão, em todo poder de sua escrita, concebe uma faixa que é muito ele, ao mesmo tempo em que aspira ao Roberto Carlos do começo da maturidade mas já nostálgico. “E eu quase sempre choro pra dormir lembrando do que eu era antes / Nova e destemida, pela frente, a vida ainda nos meus olhos”, poetiza. “Jabuticabeira”. Primeira faixa mais animada, que reconecta o disco ao velho Jão, em versos tão familiares aos seus ouvintes quanto “chama alguém para aguar minhas plantas / se eu não voltar pra casa / eu não vou morrer / só vou vou viajar”. “João”. Terna balada de piano e voz, janela para o mais íntimo da vida do artista, composta pelo namorado, Pedro Tófani: “Eu só sei te amar tão mal, perdão / eu só sei te amar tão mal, João”. “Tudo me lembra”. Mais piano e voz (agora com o peso de uma orquestra) numa colagem de memórias, ou melhor, de “coisas que agora olhando para trás sequer consigo ver razão ou porquê”. Mais um momento em que ele chega perto do Roberto. “Coincidências”. Um Jão cada vez mais próximo do pop maduro-contemporâneo de um Nando Reis ou Samuel Rosa — com todas as credenciais para reivindicar o seu lugar nas rádios. “O arquiteto”. Faixa com roupa de senhor, mas com todo o jeitão daquelas músicas do artista-enquanto-jovem — refrão poderoso, inclusive. “Curioso”. Pop sentimental, com toda a pinta de que vai virar hit, em sua descrição do cotidiano (“tiro o pó da sala / saio do escuro / eu corro todo dia às sete / as plantas têm ficado verdes”) e das armadilhas da humanidade (“você é uma pessoa boa / mas boas pessoas sempre ferem”). “Passeios noturnos”. O velho Jão das delícias e perigos da night, em rock vigoroso, cheio de indiretas (“entra no meu carro e eu te escolto / vai ver Jesus dentro dos meus olhos”) “Memórias póstumas”. Violão, cordas e muita emoção na muito adequada faixa-título de encerramento. “Tente não ser o primeiro a roer as frias carnes do meu corpo passageiro”, canta, citando trecho de “Memórias póstumas de Brás Cubas”, clássico romance de Machado de Assis que inspirou o título do disco.