0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Centro de Tecnologia no Campus do Fundão da UFRJ — Foto: Márcia Foletto Em um país em que muita gente ainda defende a ideia da meritocracia, o Atlas da Mobilidade Social mostra que, nesse grande trem que é o Brasil, mesmo quando o país cresce e há alguma melhora na vida das famílias, é muito difícil mudar de vagão. A probabilidade de um brasileiro que nasce entre os 25% mais pobres da população chegar ao grupo dos 25% mais ricos na vida adulta é de apenas 8,3%. Um percentual ainda menor, de 1,3%, conseguirá ingressar na faixa dos 10% mais ricos. Já a chance de permanecer na base da pirâmide, onde está a família em que nasceu, é de 48%. Esse dado dialoga com outro resultado do estudo: apenas 1,58% dos que nascem entre os 25% mais pobres têm chance de concluir a universidade. Entre os mais ricos, essa probabilidade chega a 38%. Afinal, a educação continua sendo a principal ferramenta de mobilidade social. Políticas como as cotas e o ProUni ampliaram o acesso de grupos mais pobres e historicamente marginalizados ao ensino superior. Esses programas produziram histórias de ascensão social que rompem parte dessas barreiras — justamente o tipo de movimento que o estudo busca medir. Ainda assim, quando os filhos das famílias mais ricas têm muito mais chances de concluir a universidade, também tendem a ter mais acesso aos melhores empregos e salários. O resultado é a perpetuação dos passageiros em seus respectivos vagões nesse grande trem chamado Brasil. E, se os mais pobres têm menos oportunidades de alcançar empregos melhores, rendas mais elevadas e chegar à elite econômica, as desigualdades se aprofundam quando entram em cena fatores como raça e gênero. Os dados mostram que essas barreiras se acumulam. Entre as pessoas não brancas, 51,64% permanecem entre os mais pobres. Entre as mulheres que nascem no grupo dos 25% mais pobres, 65% continuam nessa faixa na vida adulta, enquanto entre os homens esse percentual é de 32%. Em outras palavras, as mulheres e os negros enfrentam obstáculos ainda maiores para ascender socialmente. Uma das maiores dificuldades para fazer esse tipo de análise geracional é acompanhar a renda das famílias ao longo do tempo. O Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) conseguiu superar esse desafio ao combinar registros da Receita Federal, da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Cadastro Único e do Bolsa Família com pesquisas domiciliares do IBGE. O levantamento acompanha cerca de 7 milhões de brasileiros nascidos entre 1983 e 1990, comparando a renda bruta média dos moradores do domicílio durante a infância e a adolescência com a renda alcançada por esses indivíduos entre os 25 e os 29 anos. Lugar de fala não é interdição, diz Djamila Ribeiro Precisamos discutir, estudar mais a mobilidade social no Brasil. E a educação é o principal caminho para permitir essa troca de vagão. Ampliar o acesso ao ensino de qualidade — da educação básica ao ensino superior — continua sendo uma das estratégias mais eficazes para aumentar a mobilidade social e reduzir a desigualdade no país.
O Brasil é um trem que se move, mas não deixa as pessoas trocarem de vagão: a difícil mobilidade social
O Brasil é um trem que se move, mas não deixa as pessoas trocarem de vagão: a difícil mobilidade social






