Anúncio do presidente americano veio após meses de dificuldades para manter nos trilhos a trégua firmada no ano passado Um combatente palestino das Brigadas Izz el-Deen al-Qassam, o braço armado do movimento Hamas , gesticula dentro de um túnel subterrâneo em Gaza, em 18 de agosto de 2014. Foto tirada em 18 de agosto de 2014 — Foto: REUTERS/Mohammed Salem/Foto de Arquivo A implementação do acordo para levar a paz a Gaza anunciado pelo presidente americano Donald Trump dependerá de Israel cumprir primeiro seus compromissos assumidos em um acordo firmado no ano passado, disse nesta sexta-feira à Reuters um alto dirigente do Hamas. Em uma publicação na plataforma Truth Social na quinta-feira, Trump anunciou um "grande marco" rumo ao fim da guerra em Gaza, afirmando que seu "Conselho de Paz" havia chegado a um acordo para o desarmamento completo do Hamas e de outros grupos armados. O anúncio veio após meses de dificuldades para manter nos trilhos o acordo de cessar-fogo firmado no ano passado no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh. Não estava claro, de imediato, até que ponto Hamas e Israel apoiavam a iniciativa. Poucas horas depois do anúncio, autoridades médicas de Gaza informaram que vários palestinos ficaram feridos em um ataque aéreo israelense no enclave. As Forças Armadas de Israel não comentaram imediatamente. Ghazi Hamad, dirigente do Hamas envolvido nas negociações, afirmou que o grupo estava disposto a aceitar um acordo que classificou como "difícil e doloroso". Ele evitou, porém, usar o termo "desarmamento" e disse que o entendimento representa uma "estrutura abrangente", cuja implementação dependerá de Israel cumprir primeiro a fase inicial do acordo de Sharm el-Sheikh. Segundo Hamad, esse acordo obriga Israel a encerrar seus ataques em Gaza, retirar suas tropas para as posições que ocupavam em outubro e ampliar a entrada de mercadorias e ajuda humanitária no enclave. Somente depois disso, afirmou, o Hamas concordará em entregar suas armas para armazenamento sob responsabilidade do novo Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), órgão tecnocrático criado para administrar o território. "Insistimos aos mediadores que Israel deve cumprir o acordo", disse. Na terça-feira, Trump reuniu-se em Washington com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que enfrentará eleições em outubro e poderá depender do apoio de partidos de direita, os quais rejeitaram acordos anteriores sobre Gaza. Na quinta-feira, uma fonte política israelense afirmou que Israel não concordará em retirar suas tropas para trás da chamada Linha Amarela antes que o Hamas seja desarmado e a Faixa de Gaza seja desmilitarizada. Tentativas anteriores de alcançar um acordo fracassaram em meio à desconfiança mútua e à insistência de cada lado de que o outro deveria dar o primeiro passo. O NCAG divulgou um comunicado saudando "o progresso anunciado ontem em relação ao roteiro e à abertura de um caminho para o início de sua implementação". O órgão afirmou estar pronto para assumir suas responsabilidades, enquanto a Alemanha, um dos principais doadores, declarou que fará sua parte para ajudar na execução do acordo. Moradores de Gaza, que ainda lutam para sobreviver após a campanha militar israelense lançada em resposta ao ataque do Hamas em 2023 devastar o enclave, permanecem céticos. Militantes do Hamas comemoram o que consideram uma vitória sobre Israel após oito dias de conflito, durante um comício no norte da Faixa de Gaza, em 22 de novembro de 2012 — Foto: REUTERS/Suhaib Salem/Foto de Arquivo Em um acampamento de tendas na Cidade de Gaza, onde mulheres enchiam galões plásticos com água, palestinos deslocados pediram que Trump obrigasse Israel a cumprir o acordo. "Trump, você deveria começar pelo seu lado: cessar-fogo, parar os assassinatos e concluir a retirada do Exército israelense da Faixa de Gaza", disse Samir Ayad, de 60 anos. "Não estamos vendo acordo nenhum, nada do que ele [Trump] está dizendo", afirmou à Reuters.