No sudoeste da França, a influência do aquecimento global ao menos dobrou a chance de um cenário semelhante, aponta uma análise da World Weather Attribution (WWA), uma rede internacional de cientistas que estuda a relação entre as mudanças climáticas e eventos meteorológicos extremos. ➡️ O estudo não investigou o que iniciou cada incêndio. Os pesquisadores avaliaram como a combinação de temperaturas elevadas, falta de chuva e ventos criou um ambiente favorável para que o fogo se espalhasse rapidamente e se tornasse mais difícil de controlar. No clima atual, condições com essa intensidade são esperadas, em média, uma vez a cada seis anos no centro da Espanha e uma vez a cada 20 anos no sudoeste francês. Em comparação com um planeta cerca de 1,4°C mais frio, a intensidade desse conjunto de fatores aumentou aproximadamente 42% na Espanha e 46% na França. “Condições meteorológicas severas para incêndios já não são raras no clima atual”, disseram os autores no estudo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA TAMBÉM: Depois, uma primavera seca e um verão marcado por ondas de calor retiraram a umidade do solo e ressecaram plantas, gramíneas e arbustos. Na França, sucessivas ondas de calor e a escassez de chuva também reduziram a umidade do solo e aumentaram o estresse sobre pinheiros e arbustos. Os pesquisadores analisaram os sete dias com as condições mais graves para incêndios em cada região. Para isso, usaram um indicador que reúne calor, umidade, vento e o ressecamento da vegetação e mostra o grau de dificuldade para controlar um incêndio depois que ele começa. A diretora do Centro Basco de Mudança Climática, María José Sanz, afirmou que os episódios registrados na França e na Espanha foram favorecidos tanto pelas condições climáticas quanto pela forma como as áreas florestais são administradas. Segundo ela, o abandono de terras rurais também contribuiu para o acúmulo de vegetação em florestas, pastagens e áreas de mato. “Esses incêndios vão passar a fazer parte da nossa realidade”, disse Sanz, em comentário divulgado pelo Science Media Centre España. LEIA TAMBÉM: Imagem de satélite mostra fumaça de incêndio em Andernos-les-Bains, em Gironde, na França, em 24 de julho de 2026. — Foto: Vantor/Divulgação via Reuters A fumaça também representa um risco para a saúde. Segundo a pesquisadora, os incêndios liberam poluentes, especialmente partículas finas, e podem obrigar milhares de pessoas a permanecer dentro de casa por causa da piora na qualidade do ar. Outros especialistas ouvidos pelo Science Media Centre España ressaltaram que o levantamento avalia principalmente as condições meteorológicas. O tamanho e a gravidade de um incêndio também dependem do relevo, da quantidade e da distribuição da vegetação, da origem do fogo, da ocupação humana e da rapidez da resposta das equipes de emergência. Eduardo Rojas Briales, professor da Universidade Politécnica de Valência, afirmou que uma das limitações do trabalho é “restringir-se às análises meteorológicas sem considerar as condições concretas do incêndio, da área atingida e da operação de combate”. Já Víctor Riera, da Fundação Pau Costa, avaliou que o estudo usou métodos consolidados e funciona como um alerta diante de episódios que ocorreram ao mesmo tempo e mais cedo do que o esperado na temporada de incêndios. “O artigo é, acima de tudo, um chamado de atenção”, afirmou Riera. A conclusão dos pesquisadores é que combater as chamas continuará sendo essencial, mas não será suficiente. Reduzir o risco exigirá manejo da vegetação, planejamento de cidades e áreas rurais, diversificação das florestas, sistemas de aviso e cooperação entre países. O estudo também afirma que limitar o agravamento futuro dependerá da redução rápida do uso de combustíveis fósseis. Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'