Um pequeno arquipélago do Pacífico, Fiji, com 937 mil habitantes, concentra hoje a atenção de toda a comunidade internacional de resposta ao vírus HIV. Em pouco mais de uma década, esse conjunto de ilhas passou de uma das menores taxas da região para uma epidemia de crescimento mais rápido do mundo.
Segundo relatório da Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids), divulgado durante conferência internacional de Aids, que acontece no Rio de Janeiro, o arquipélago registrou em 2025 um aumento de mais de dez vezes no número de novos diagnósticos desde 2014.
A principal causa é o avanço do uso de metanfetamina injetável num país que, até poucos anos atrás, sequer tinha uma epidemia de drogas injetáveis relevante. Em janeiro do ano passado, o governo de Fiji declarou surto nacional de HIV.
Historicamente utilizado como uma rota de trânsito entre as Américas e os lucrativos mercados da Austrália e Nova Zelândia, o arquipélago agora enfrenta as consequências do consumo interno da droga.
De acordo com Jason Mitchell, que preside a força-tarefa nacional de resposta ao surto e que esteve na conferência de Aids, o que começou concentrado entre pessoas que usam drogas injetáveis hoje já se espalhou para todos os grupos populacionais do país. A crise sanitária deixou de ser concentrada e passou a ser generalizada em apenas cinco anos.













