Ao encontrá-lo, só sei aproveitar sua presença, rir de sua ironia e me deleitar com suas histórias. Mas, como sua companhia é boa demais, sempre fico com a impressão de que converso com meu amigo menos do que gostaria. De longe, fico em paz sabendo que está bem, cercado de afeto e envolto em sua mágica caminhada. Mas é seu aniversário, e temos uma oportunidade de ouro para lhe dizer coisas boas e desejar-lhe tudo de melhor.

Daqueles dias em que via pela calçada as festas no Clube Araraquarense —onde, por ser pobre, não podia entrar—, até os dias de hoje —em que é patrono da Festa Literária da Morada do Sol e cidadão ilustre da cidade—, o nosso grande escritor Ignácio de Loyola Brandão, imortal em título e em nossas memórias, completa nesta sexta-feira seus 90 anos.

Quando este jornal chegar às ruas e casas da cidade, faço votos para que o encontre com um abraço nesta coluna, enquanto provavelmente proseia com Márcia Gullo, sua companheira de vida. Junto a seus filhos e filha, a essa altura já deve ter falado algumas coisas sobre seu documentário em cartaz nos cinemas.

"Não Sei Viver Sem as Palavras", dirigido por seu filho André Brandão, realiza um antigo desejo do pai, crítico de cinema desde 1952 na Folha Ferroviária: ver sua trajetória transformada numa obra à sua altura e ainda percorrer tapetes vermelhos nas disputadas sessões de pré-estreia Brasil afora.