O que, durante séculos, foi transmitido de geração em geração pelos povos indígenas agora recebe reconhecimento científico e se torna política pública de saúde. No Ceará, plantas medicinais tradicionalmente utilizadas pelos povos originários serão transformadas em medicamentos fitoterápicos e distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em unidades básicas instaladas nos territórios indígenas. A iniciativa integra o projeto “Interculturalidade e Farmácias Vivas”, desenvolvido pela Secretaria Estadual da Saúde, em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) e o Ministério da Saúde, por meio do Distrito Sanitário Especial Indígena.
Ao todo, serão produzidos dez fitoterápicos a partir de espécies cultivadas pela própria comunidade. Após o plantio, a coleta e o processamento, elas darão origem a xaropes para doenças respiratórias, pomadas e géis para problemas de pele, além de tinturas e sachês voltados ao cuidado em saúde mental. Pioneiro no Brasil, o projeto tem início em territórios indígenas, onde foram implantados quatro hortos e selecionados bolsistas responsáveis pelo plantio, cultivo e coleta das espécies medicinais.
Embora já dominem saberes tradicionais sobre o uso dessas espécies, os bolsistas passaram por capacitação técnica, que integrou conhecimentos científicos e práticas de cultivo voltadas à produção de fitoterápicos. Após a colheita, o material é encaminhado ao laboratório farmacêutico do Estado, onde é processado e transformado em medicamentos.








