Pouco mais de duas semanas após o massacre de Eldorado do Carajás, em 17 de abril de 1996, um gerente de fazenda desembarcou em Brasília sob proteção da Polícia Federal. Dizia carregar uma informação que, se confirmada, mudaria o rumo da investigação. Tratava-se de Ricardo Marcondes de Oliveira, então com 30 anos. Em depoimentos à PF, ao Ministério Público e à Justiça, ele relatou a organização de proprietários rurais da região para arrecadar dinheiro destinado a financiar a operação policial que, há três décadas, terminou com 19 trabalhadores sem-terra mortos na Curva do S, na Rodovia PA-150, no sudeste do Pará. Outros dois morreram posteriormente, em decorrência dos ferimentos.
O plano teria surgido poucos dias antes do massacre. O valor giraria em torno de 85 mil reais, cerca de meio milhão em valores atualizados, e seria repassado ao comando do 4º Batalhão da Polícia Militar. Segundo Oliveira, “dez integrantes do MST deveriam morrer” durante a operação. O relato foi anexado aos autos, mas acabou descartado. Essa “vaquinha” é uma das pontas soltas do Massacre de Eldorado do Carajás, ainda cercado de perguntas três décadas depois. A Repórter Brasil ouviu personagens ligados à chacina e analisou milhares de páginas dos autos judiciais do caso. Além do rateio, permanecem sem resposta o telefonema de um suposto funcionário da então estatal Vale para a empresa responsável por transportar parte da tropa e as pressões de fazendeiros antes da operação.








