Ação afirma que parlamentares impulsionam estrutura coordenada de perfis que produz conteúdo sintético para atacar o presidente e pede remoção das publicações 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A sede do Tribunal Superior Eleitoral — Foto: Luiz Roberto/TSE A Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira pedindo a remoção de uma rede de perfis que utiliza inteligência artificial para produzir e disseminar vídeos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados. A representação tem como alvos o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os deputados federais Mario Frias (PL-SP), Gustavo Gayer (PL-GO) e Gilvan da Federal (PL-ES), além do pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro André Marinho (Novo) e de perfis anônimos nas redes sociais. A ação foi distribuída ao presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques. Na petição, a federação sustenta que existe uma estrutura coordenada de contas no Instagram que utiliza o recurso de publicação colaborativa ("collab") para ampliar o alcance de conteúdos produzidos por inteligência artificial com o objetivo de degradar a imagem de Lula, do PT e de aliados políticos. Segundo os advogados, o material é posteriormente impulsionado por parlamentares e figuras públicas com milhões de seguidores, potencializando sua disseminação. De acordo com a ação, a rede teria reunido dezenas de perfis, milhares de publicações e milhões de interações. A representação afirma que parte dessa estrutura também monetiza a atividade por meio da venda de cursos sobre inteligência artificial e da arrecadação de recursos via PIX e criptomoedas. Os advogados argumentam que o caso vai além da simples publicação de vídeos produzidos por inteligência artificial. Segundo eles, haveria um comportamento coordenado entre diferentes perfis para dominar o debate público nas redes sociais e impulsionar conteúdos ofensivos em escala. Também afirmam que a utilização de trilhas sonoras ("jingles") do TikTok facilita a replicação massiva desse material. A ação faz parte da ofensiva da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) contra o uso de inteligência artificial na campanha eleitoral de 2026. A petição cita como exemplo uma publicação feita por Flávio Bolsonaro em 31 de maio deste ano, acompanhada da legenda "caiu na rede". Segundo a federação, o vídeo alcançou cerca de um milhão de visualizações e já é objeto de outra representação em tramitação no TSE. O documento também menciona postagens de André Marinho, Mario Frias, Gustavo Gayer e Gilvan da Federal contendo vídeos produzidos por inteligência artificial contra Lula, com centenas de milhares ou milhões de visualizações. Na avaliação dos autores da ação, o compartilhamento desse material por agentes políticos agrava o potencial de dano porque amplia o alcance das publicações e lhes confere uma aparência de legitimidade institucional. A petição afirma que, somadas, as páginas dos parlamentares mencionados alcançam cerca de 9,5 milhões de seguidores e que as publicações reunidas no processo ultrapassam 5,8 milhões de visualizações. Os advogados sustentam ainda que os parlamentares funcionam como incentivadores de uma rede de perfis anônimos dedicada à produção desse tipo de conteúdo e afirmam que a reprodução das publicações em páginas oficiais de autoridades acaba legitimando e premiando os responsáveis pelas peças produzidas com inteligência artificial.