Ao final do conto "A Vaca", do russo Andrei Platônov, o menino Vássia Rubtsov precisa escrever uma redação cujo tema é: "Como viverei e trabalharei para me tornar útil à nossa pátria?".
Já logo no início de "Moscou Feliz", romance inacabado do mesmo autor, a protagonista come com seus colegas de escola, todos pela primeira vez, almôndegas. A refeição traz um aprendizado —o bolinho é feito de carne de vaca— e gera uma tarefa para o dia seguinte: preparar uma redação sobre o animal e sobre a própria vida no futuro.
A menina brilhante e sofrida do romance ganhara em um orfanato o mesmo nome da cidade em que nascera, depois de ser encontrada vagando pelas ruas de Moscou em meio aos conflitos dos anos seguintes à Revolução de 1917, enquanto Vássia é filho de um guarda ferroviário e mora em um local isolado no campo com o pai, a mãe, uma vaca e um bezerro, bichos que terão destinos infelizes.
Também muito inteligente, provoca admiração em um maquinista a quem ajuda: "É um homem completo desde a infância, e ainda tem tudo pela frente".
Quando nos deparamos com a reprodução da redação do menino em "A Vaca", estamos nas últimas linhas do conto traduzido por Maria Vragova. De Vássia, personagem a quem o narrador acompanha mais de perto na trama, não saberemos mais nada.








