Betelgeuse, na constelação de Órion, é uma superestrela entre as estrelas. Astrônomos a observam há muito tempo. Mas só agora uma equipe de pesquisadores diz ter provas de que ela não está só. Eles descreveram o achado em um artigo publicado neste mês na revista Astronomy & Astrophysics.

Imagens obtidas com o uso do VLT (Very Large Telescope), do Observatório Europeu do Sul no Chile, mostram a presença da companheira dela, ou seja, a existência de um sistema binário.

Assim como Betelgeuse, a estrela recém-identificada é muito maior que o Sol e também mais brilhante. Ambas estão localizadas a cerca de 500 anos-luz a 600 anos-luz da Terra —um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, ou seja, 9,5 trilhões de quilômetros.

Cientistas já suspeitavam que Betelgeuse tivesse uma companheira. E, nos últimos anos, alguns estudos forneceram fortes evidências nesse sentido. A nova pesquisa apresenta a primeira detecção inequívoca, segundo o astrônomo Miguel Montargès, do Lira (Laboratório de Instrumentação e Pesquisa em Astrofísica), do Observatório de Paris, autor do trabalho.

"Betelgeuse tem sido observada ao longo da história. Ela é até retratada em pinturas pré-históricas. Ainda assim, descobrimos só agora uma de suas características fundamentais: ela tem uma companheira, e obtivemos uma imagem direta disso", afirmou Montargès.