Documentos de uma perícia judicial e depoimentos à Polícia Civil de São Paulo, aos quais a Folha teve acesso, contestam a acusação da Unico sobre um suposto vazamento de milhões de dados biométricos envolvendo a Serasa Experian.

Segundo o laudo pericial, não haveria a existência de um banco paralelo de dados biométricos, mas uma divergência sobre o uso de "rotas" (caminhos digitais de acesso aos servidores).

A investigação foi aberta após a empresa de identidade digital e biometria facial Unico acusar a Skill Tecnologia —integradora responsável por conectar clientes à plataforma de identidade— de utilizar um canal de acesso contratado exclusivamente para operações do Banco do Brasil para processar validações biométricas de outros clientes, entre eles a Serasa Experian e a ClearSale.

A acusação levantou a hipótese de que milhões de validações biométricas —as selfies tiradas por brasileiros ao abrir contas ou pedir empréstimos— teriam sido realizadas de forma irregular e alimentou a suspeita de uso indevido de dados sensíveis. A apuração ocorreu no cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra a Serasa por peritos criminais em São Paulo no mês passado.

Um laudo pericial contratado pela acusação ainda teria identificado ao menos 1,4 milhão de transações consideradas irregulares. A empresa estima que o potencial de consultas envolvidas nessa operação possa alcançar dados de até 22 milhões de brasileiros.