Número total equivale a cinco por segundo, mostra levantamento Quase 1,5 milhão de tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade, ou cinco por segundo, foram identificadas no primeiro trimestre de 2026 pela Serasa Experian, uma alta de 36,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo a primeira edição do novo Mapa da Fraude, levantamento da companhia que reúne dados das tecnologias antifraude, foram mais de 19 milhões de mensagens associadas a golpes e mais de 368 mil tentativas de fraude no e-commerce brasileiro durante o período. “O fraudador não atua de forma linear. Ele pode começar com uma mensagem de isca, usar dados de terceiros, tentar abrir um cadastro digital, fraudar uma identidade, manipular documentos, explorar contas laranja ou partir diretamente para a transação, entre outras frentes”, afirma o vice-presidente de autenticação e prevenção à fraude da Serasa, Eric Dhaese. A pesquisa aponta que o prejuízo estimado por fraudes de identidade poderia chegar a R$ 1,98 bilhão para consumidores e empresas caso não fosse impedido. O setor financeiro segue concentrando a maior parte das ocorrências, com seis a cada dez tentativas registradas em bancos, emissores de cartão, meios de pagamento e empresas de serviços financeiros e de crédito. Entre os segmentos analisados, “Meios de Pagamento” liderou em volume, com 644.586 tentativas, ou 43,1%, seguido por “Telefonia” (21,0%), “Bancos e Cartões” (17,3%) e “Casas de apostas” (11,3%). No recorte regional, o Sudeste respondeu por 38,5% das tentativas de fraude. Apenas São Paulo concentrou mais de 230 mil ocorrências, o equivalente a 15,8% do total. Na camada de cibersegurança, a Serasa Experian identificou 10.053 anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos no primeiro trimestre de 2026, alta de 8,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Também foram mapeadas 19,7 milhões de mensagens associadas a golpes, média de 152 mensagens por minuto, e quase 2 mil grupos de circulação e troca de conteúdo fraudulento, avanço de 139% na comparação anual. Na camada transacional, cerca de 1% das transações no e-commerce foi considerada tentativa de fraude no primeiro trimestre. Ao todo, foram registradas mais de 368 mil ocorrências desse tipo, o equivalente a uma tentativa a cada 21 segundos, que somaram R$ 337,9 milhões em valor preservado por meio das soluções antifraude. O comportamento das tentativas mostra que o fraudador tende a mirar compras de maior valor. No período, o tíquete médio das tentativas de fraude foi de R$ 917,52, valor 62% acima do pedido legítimo. Isso indica que, no e-commerce, a fraude não busca apenas volume, mas também maior retorno financeiro por transação. A categoria “Beleza” liderou em quantidade de tentativas de fraude (valor nominal), com 33,7 mil ocorrências, seguida por “Calçados” (29,4 mil), e “Saúde” (18,9 mil). Já entre as categorias com maior risco (maior percentual de tentativas de fraude), “Celulares” aparece no topo, com 3,11%. Rodrigo Sanchez, diretor na unidade de Identidade e Fraude da Serasa, aponta que entre janeiro e fevereiro foram 435 mil pedidos e R$ 734,9 milhões movimentados em medicamentos à base de GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras. Em relação aos golpes, 1,5 mil diligências foram evitadas no bimestre, reforçando que a categoria exige monitoramento contínuo por e-commerces e marketplaces. “Esse é um produto de alto valor, com grande procura no comércio, muita liquidez, por isso é visado pelos golpistas. O setor está adotando várias ações para se precaver, proteger o consumidor, mas também se preocupando para não lesar a experiência de compra dos clientes verdadeiros”, comenta. O Mapa da Fraude também aponta movimentos que devem exigir atenção nos próximos meses. Entre eles estão o avanço do “fraud as a service”, modelo em que golpes, kits, scripts e serviços especializados são comercializados para facilitar a atuação criminosa. Outro fator é o uso indevido de inteligência artificial generativa para tornar abordagens mais personalizadas, convincentes e escaláveis. Um terceiro é a pressão crescente de identidades sintéticas, com combinações realistas de dados, imagens e narrativas para tentar atravessar camadas de autenticação. “A inteligência artificial não aparece necessariamente como uma categoria estatística isolada, mas como uma tecnologia que, quando usada de forma indevida, pode ampliar escala, realismo e personalização dos golpes”, comenta Dhaese. “O fraudador sempre busca algo escalável e rentável, então a IA é usada pra potencializar os golpes.” — Foto: Mmh30 por Pixabay