No Japão, estrangeiros se tornaram essenciais na força de trabalho de áreas como a de cuidados com a saúde — Foto: Reprodução: Nikkei Asia O número de estrangeiros residentes no Japão atingiu um recorde histórico de 4,03 milhões em 1º de janeiro, um aumento de 350 mil em relação ao ano anterior, segundo dados do governo divulgados nesta quarta-feira. A participação dos estrangeiros na população total do Japão, de 123,77 milhões, subiu 0,3 ponto percentual, para 3,3%. O aumento compensa parcialmente a queda na população de cidadãos japoneses, que vem ocorrendo há 17 anos. Cerca de 721 mil pessoas imigraram em 2025, o maior número em dados comparáveis desde 2013, com aumentos no número de estudantes internacionais, bem como de pessoas que entraram no Japão pelo programa de "trabalhador qualificado específico" para empregos em setores com escassez de mão de obra. A emigração do Japão totalizou cerca de 379.300 pessoas. A população estrangeira cresceu em todas as 47 províncias. O maior aumento ocorreu em Tóquio — um polo para estudantes internacionais — que registrou um acréscimo de cerca de 62.500 estrangeiros, chegando a aproximadamente 783.700, quase um quinto do total nacional. Tóquio tem visto recentemente um avanço na imigração do Nepal. Dados da província, de abril, indicam que a população nepalesa ultrapassa 60 mil pessoas, superando a vietnamita e se tornando a terceira maior nacionalidade estrangeira. Centenas de alunos frequentam uma escola internacional para crianças nepalesas, inaugurada no distrito de Edogawa em 2021. Reclamações sobre problemas como crianças caminhando pelas ruas levaram o governo local a firmar uma parceria com a escola para oferecer aulas sobre regras de trânsito e etiqueta. Alunos e professores participam de eventos de limpeza para promover a convivência multicultural. Hokkaido registrou o maior aumento percentual de residentes estrangeiros, com um salto de 14,9%, chegando a cerca de 75.400. Mais de 30% da população de cidades como Akaigawa e Shimukappu é composta por estrangeiros. Kutchan e Niseko — conhecidas por suas estações de esqui — têm populações estrangeiras que ultrapassam os 20%, devido à imigração de muitos trabalhadores estrangeiros. O Hoshino Resorts Tomamu, no centro de Hokkaido, perto de Shimukappu, conta com um grande número de funcionários estrangeiros durante todo o ano. Os funcionários têm direito a descontos nas passagens de ônibus entre o resort e Sapporo, no sul do país. Na região de Niseko, a oeste, as autoridades locais e uma empresa de promoção turística estão desenvolvendo uma campanha para incentivar hábitos, com vídeos e cartazes em inglês e japonês simplificado sobre a proibição de jogar lixo no chão e consumir bebidas alcoólicas nas calçadas. Os estrangeiros são cada vez mais indispensáveis para a força de trabalho japonesa. Pessoas entre 15 e 64 anos representam 86% dessa população, com quase 18% na faixa etária de 25 a 29 anos, a principal idade produtiva. Enquanto isso, a população japonesa em idade ativa vem diminuindo há mais de 30 anos. O Japão lançará no próximo ano um sistema de "emprego para desenvolvimento de habilidades" com o objetivo de cultivar sua força de trabalho estrangeira a longo prazo, em vez de depender do programa de trabalhadores qualificados específicos, que impõe algumas limitações ao tempo de permanência dos participantes no Japão. O governo deverá aumentar o limite de trabalhadores estrangeiros autorizados a entrar no país, de aproximadamente 800 mil, no âmbito do programa de trabalhadores qualificados específicos, para um total de 1,23 milhão. "Com a geração do baby boom ultrapassando os 75 anos, a força de trabalho japonesa — que vinha sendo sustentada pela promoção do emprego de mulheres e idosos — está atingindo seus limites", afirmou Tomohisa Ishikawa, do Instituto de Pesquisa do Japão. "Os trabalhadores estrangeiros já são cruciais em restaurantes e em indústrias de mão de obra intensiva, e as políticas para incentivar a coexistência estão se tornando cada vez mais importantes."
População estrangeira no Japão atinge recorde de 4 milhões, aliviando escassez de mão de obra
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