Nascido em Pindamonhangaba (SP), em 7 de novembro de 1952, o vice-presidente é formado em medicina pela Universidade de Taubaté, com especialização em anestesiologia. A confirmação da candidatura a vice-presidente foi um ato meramente protocolar, uma vez que, quatro meses atrás, o presidente já havia anunciado que a parceria "lula com chuchu", vitoriosa em 2022, seria repetida nas eleições de outubro deste ano. Lula confirma Geraldo Alckmin como vice na chapa à reeleição Também foi uma demonstração de que o vice-presidente – que foi um dos principais quadros do PSDB por mais de três décadas, arquirrival de Lula nas eleições de 2006 e um crítico das gestões do PT no passado – superou a desconfiança da grande maioria dos petistas. O político de discursos curtos, intercalados com piadas repetidas, de estilo considerado "insosso" – o que lhe rendeu o apelido "picolé de chuchu" – passou a ser chamado de "companheiro Alckmin" por Lula. Utilizando meias divertidas, o vice-presidente – que chegou a dar dicas de saúde na televisão após um tímido quarto lugar na eleição presidencial de 2018 – ganhou papel de destaque no terceiro mandato de Lula. Ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Alckmin foi um articulador importante na resposta do governo Lula ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (leia mais aqui). Geraldo Alckmin, vice-presidente da República — Foto: Cadu Gomes/VPR Essa habilidade para a negociação com o setor produtivo foi uma das razões que fizeram Lula buscar, em 2022, uma aliança com o ex-adversário, em uma estratégia que ajudou o petista a conquistar votos de eleitores de centro e, também, no estado de São Paulo, onde Alckmin construiu a carreira política. Na ocasião, Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB) foram os principais responsáveis pela aproximação inusitada, que venceu a resistência de uma ala petista. Semanas após a filiação de Alckmin ao PSB, em 2022, ele e Lula ouviram juntos, em um evento do partido, o hino da Internacional Socialista, um movimento de partidos de esquerda. À época, o ex-tucano, com trajetória no conservadorismo, disse ter ficado à vontade com o episódio. Com a confirmação de Alckmin na chapa, Lula repete uma fórmula que foi bem-sucedida nas eleições de 2002 e 2006, pleitos em que o empresário José Alencar foi o candidato a vice. Foto de outubro de 2008 mostra Geraldo Alckmin, acompanhado da esposa, Lu Alckmin, da filha Sophia, e do filho Thomaz Alckmin, que faleceu em 2015. — Foto: Paulo Liebert/Estadão Conteúdo/Arquivo LEIA TAMBÉM: Coordenador da reação ao tarifaço de Trump Além de vice-presidente, Alckmin foi titular, até abril deste ano, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Por várias vezes, Lula elogiou a atuação de Alckmin no governo. Para chefiar o MDIC, o petista afirmava que estava à procura de um "cara moderno, da inovação" para o cargo. E que ouviu vários candidatos à vaga. "O último cidadão que conversei, falou tanta teoria bonita. Eu perguntei se já tinha colocado alguma em prática, e ele disse que não. Ali bati o martelo que Alckmin seria o ministro", lembrou Lula em uma cerimônia. O vice-presidente foi o responsável por fazer a ponte entre o governo e os setores impactados pela taxação imposta pelos Estados Unidos. Como titular do MDIC, Alckmin também lançou um pacote de políticas voltadas ao fortalecimento do setor industrial, como: a Nova Indústria Brasil (NIB), um programa de linhas de crédito para a modernização da produção nacional;o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), voltado para a descarbonização automotiva e atração de aportes na fabricação de veículos elétricos e híbridos; eum programa temporário de desconto para veículos populares (2023), que concedeu abatimentos diretos em carros de passeio, caminhões e ônibus para aquecer o mercado interno e renovar frotas rodoviárias no país. Em 2023 e em 2024, Alckmin também atuou na elaboração de medidas voltadas ao setor industrial para reduzir os impactos econômicos das fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul. O vice-presidente esteve no estado representando Lula e articulou a liberação de uma verba emergencial para o estado. Lula e Alckmin em cerimônia — Foto: Ricardo Stuckert/PR 'Taxa das blusinhas' Declarações e gestos ao longo do mandato Lula se vacina contra gripe; campanha de imunização começa hoje Carreira política Seu primeiro mandato foi como vereador pelo MDB em Pindamonhangaba (1972-1976), que abriu o caminho de uma carreira política que ascendeu rapidamente. Logo na estreia, Alckmin assumiu a presidência da Câmara dos Vereadores. Na eleição seguinte, foi eleito prefeito (1976-1982), tomando posse com apenas 24 anos, o mais jovem na chefia do Executivo na história da cidade. Foi também deputado estadual (1983-1987) e deputado federal (1987-1995). Na Câmara dos Deputados, foi colega de Lula e atuou como constituinte — como são chamados os parlamentares que integraram a Assembleia Nacional Constituinte responsável por redigir a Constituição de 1988. Na Câmara, dedicou-se a projetos ligados à saúde e à Previdência Social. Foi integrante da Comissão de Ordem Social e da Subcomissão de Saúde, Seguridade e do Meio Ambiente. Pelo PSDB, partido que ajudou a fundar em 1988 e ao qual foi filiado por 33 anos, Alckmin também chegou ao mandato de vice-governador de São Paulo (1995-2001) na gestão Mario Covas. No Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, ganhou notoriedade ao comandar o estado por 14 anos. Assumiu a função pela primeira vez em 2001, com a morte de Covas, ficando até 2006. Voltou a governar o estado de 2011 até 2018. É o político que por mais tempo chefiou o Executivo de São Paulo desde a redemocratização. Agora no g1 À época das denúncias, a defesa de Alckmin negou qualquer irregularidade ou ato de corrupção, sustentando que suas doações de campanha foram realizadas dentro da lei e que a vida pública do ex-governador sempre foi pautada pela ética e retidão. Alckmin já disputou a Presidência da República duas vezes. Em 2006, quando perdeu no 2º turno para o atual presidente Lula, e, em 2018, quando ficou na quarta colocação — atrás do ex-presidente Jair Bolsonaro, do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad e do ex-governador do Ceará Ciro Gomes.