Mulheres investidoras: o que realmente pesa na hora de escolher bancos e investimentos?Especialistas discutem como confiança, atendimento, segurança, educação financeira e experiência influenciam as decisões de investimento das mulheres. Crédito: Mulheres investidoras: o que realmente pesa na hora de escolher bancos e investimentos?No segundo trimestre de 2026, o Santander Brasil, sob a gestão de Mario Leão, enfrentou desafios com alta inadimplência e reforço de provisões, resultando em um lucro líquido de R$ 3,014 bilhões, 17,6% menor que o ano anterior. O retorno sobre patrimônio caiu para 12,5%, longe da meta de 20%. Gilson Finkelsztain, novo presidente, ainda não influenciou os resultados. O banco adota uma postura mais seletiva no crédito, priorizando qualidade e disciplina, segundo o diretor financeiro Carlos Muñiz.O último trimestre em que Mario Leão esteve à frente do Santander Brasil sintetizou o ciclo desafiador que marcou boa parte da gestão do agora ex-CEO. Em um ambiente de juros nas alturas, o banco registrou piora na inadimplência e precisou reforçar as provisões contra calotes. Também seguiu seletivo no crédito, o que deixou menos espaço para o lucro, que veio bem abaixo do esperado pelo mercado, e afastou a rentabilidade ainda mais da tão almejada marca dos 20%. PUBLICIDADESegundo o balanço divulgado nesta quarta-feira, 29, o Santander Brasil teve lucro líquido gerencial recorrente de R$ 3,014 bilhões no segundo trimestre, uma queda de 17,6% em relação ao registrado em igual período de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre, houve baixa de 20,4%. Os ativos totais somaram R$ 1,285 trilhão, alta de 5% em um ano. O patrimônio líquido, por sua vez, totalizou R$ 98 bilhões, crescimento de 6% em igual base comparativa.O lucro gerencial veio 13% abaixo das projeções compiladas pelo Prévias Broadcast. Com isso, o retorno sobre o patrimônio anualizado (ROAE) despencou 3,8 pontos porcentuais na comparação anual, para 12,5%, agora bem mais distante da meta de superar 20% até 2028, estabelecida pela matriz.PublicidadeSantander teve queda de 17,6% no lucro Foto: Nilton Fukuda/EstadãoO balanço é o primeiro anunciado desde que Gilson Finkelsztain, ex-presidente da B3, chegou à presidência do Santander Brasil, mas ainda não reflete a gestão do executivo, que assumiu no começo de julho. Os resultados, portanto, dão poucas pistas sobre o que esperar da condução de Finkelsztain. O que ficou claro, de qualquer forma, é o tamanho do desafio que o espera.O desempenho abaixo do esperado pelo mercado no segundo trimestre é explicado, em parte, pelo aumento do colchão financeiro para se proteger contra calotes. As despesas líquidas com provisões (PDD) somaram R$ 7,654 bilhões no trimestre, um salto de 11,5% ante igual período de 2025 e acima do que muitos analistas projetavam. Segundo o banco, a pressão ficou mais concentrada nas carteiras de empresas, agronegócio e segmentos massificados da pessoa física. Também houve reforço de provisões para “casos do atacado”, disse o Santander Brasil, sem especificar nomes.O banco também deu sequência ao processo que vem chamando de “de-risking” do crédito, com aumento na exposição a linhas consideradas seguras e com garantias, em detrimento de segmentos mais arriscados, como a baixa renda. Como efeito, a carteira de pessoa física ficou praticamente estável, enquanto a de pessoa jurídica avançou. O financiamento ao consumo também seguiu em destaque, sobretudo operações de veículos.PublicidadeCom o menor apetite por algumas das linhas mais rentáveis, a margem financeira não decolou, à medida que o spread menor pressionou as receitas com juros em operações com clientes. A margem com mercado teve uma ligeira melhora, mas seguiu em território negativo, diante dos efeitos dos juros elevados sobre a tesouraria.Leia tambémEspecialistas elegem os melhores cartões de crédito para alta renda, ultra renda e intermediáriosSantander se une a grupo de bancos para entrar na recuperação da Ambipar nos EUAA base de receitas mais pressionada gerou ainda um revés no índice de eficiência, que avançou a 39,3% - neste caso, quanto menor é o indicador, mais eficiente é a operação. O aumento anual de 2,6% nas despesas totais veio abaixo da inflação no período, mas o banco teve de ampliar os investimentos em tecnologia, enquanto as receitas com comissões recuaram na passagem trimestral.Cenário mais desafiadorEm entrevista pós-balanço, o diretor financeiro do Santander, Carlos Muñiz, disse que o resultado do segundo trimestre, com queda anual do lucro e do retorno, reflete o cenário macro mais desafiador, especialmente pelo aumento do custo de crédito. PublicidadeO executivo disse que o banco está rebalanceando o mix de produtos de clientes, buscando uma melhor relação entre risco e retorno. “Esse movimento pode gerar impacto de curto prazo na receita, mas é fundamental para construir uma operação mais equilibrada, resiliente e previsível”, disse.“Nosso foco é crescer com qualidade e sustentar rentabilidade resistente”, disse o executivo. “Seguimos avançando no crédito de forma seletiva.” Segundo ele, a prioridade do banco é “qualidade e disciplina”.Muñiz informou também que o banco adotou postura mais restritiva nas renegociações, em meio ao aumento do custo do crédito. “A disciplina em renegociações pode gerar pressão de curto prazo”, disse na teleconferência.PublicidadeAinda sobre o crédito, Muñiz ressaltou que “casos específicos no atacado” e mudanças em regras de baixas contábeis afetaram as provisões. O executivo falou em um impacto de R$ 700 milhões.O banco, reafirmou o executivo, segue avançando a carteira de crédito de forma seletiva. Esse maior conservadorismo acabou tendo impacto na receita com serviços, que o banco chama de comissões. “Estamos fazendo escolhas duras, gostaríamos de ver as receitas bombando”, disse.
Santander encerra ‘Era Mario Leão’ com missão difícil para Gilson Finkelsztain, novo presidente
Em um ambiente de juros nas alturas, banco registrou piora na inadimplência e precisou reforçar as provisões contra calotes












