Em relação a 2025, houve uma redução de 4,4% em comparação no número de dias que o vale durava Levantamento publicado nesta quarta-feira (29) pela Pluxee, empresa especializada em benefícios aos trabalhadores, mostra que o vale-refeição nunca cobriu tão poucos dias do mês para os funcionários de empresas com direito a essa cobertura. Isso decorre da perda do poder de compra do brasileiro nos últimos anos, afirma o relatório, por conta do aumento dos preços dos alimentos, que subiram de anos para cá e se estabilizaram num alto patamar neste ano. De acordo com o levantamento, o vale-refeição cobriu, em média, nove dias úteis por mês na primeira metade de 2026, ou seja, menos da metade dos dias úteis de um mês. Trata-se de uma redução de 4,4% em comparação aos dez dias registrados no mesmo período do ano anterior. “A série histórica evidencia o constante encolhimento do poder de compra com vale-refeição nos últimos anos”, afirma o comunicado do levantamento. A pesquisa é feita pela companhia desde 2019, mas, nos anos de pandemia de 2020 e de 2021, não houve levantamento dos dados. Em anos anteriores, como no primeiro semestre de 2024, 2023 e 2022, por exemplo, o período de cobertura do vale refeição ficou em 10, 11 e 13 dias úteis. O recorde foi o intervalo em 2019, com 18 dias de cobertura. Portanto, de 2019 para 2026, caiu pela metade o período de cobertura, de 18 para 9 dias úteis. Norte e Nordeste são as regiões que mais sentem essa perda. É que no ranking das regiões onde o vale-refeição apresenta menor duração destacam-se Roraima (seis dias úteis), Maranhão (sete dias úteis) Acre e Rondônia (oito dias úteis). Já os estados da região Sudeste apresentam a maior folga no orçamento, e com período de maior duração do benefício: Minas Gerais (13 dias úteis), Rio de Janeiro (12 dias úteis), São Paulo (12 dias úteis). O estudo ainda informa que o valor médio da refeição subiu 4,3% apenas nos primeiros seis meses do ano, chegando a R$ 44,69. E o chamado valor facial médio do benefício creditado pelas empresas cresceu apenas 1,5% no período, alcançando a média de R$ 583,75. “Essa discrepância reduz gradualmente o poder de compra do benefício, o que reflete diretamente no aumento da necessidade de complemento por parte dos trabalhadores”, diz a nota da Pluxee. “Os dados deste ano acendem um sinal de alerta inegável para a segurança alimentar do trabalhador brasileiro. O maior ponto de atenção que os números indicam é a discrepância entre a inflação e o reajuste do benefício, pois enquanto o IPCA da alimentação fora do domicílio foi de 6,22%, o valor facial do vale-refeição subiu apenas 1,5%”, afirmou na nota da empresa Antônio Alberto Aguiar, diretor executivo de estabelecimentos da Pluxee. “Esse cenário está reduzindo o poder de compra em um ritmo acelerado e ampliando a necessidade de complemento por parte dos trabalhadores, que hoje precisam desembolsar, em média, 101% (R$ 589,00) a mais do que ele recebe de VR para cobrir seus gastos”, disse ele. O estudo também mapeou estados que vivem uma “tempestade perfeita”, segundo o executivo, como o Maranhão, onde a duração do benefício caiu 11,3% e o valor facial também foi reduzido. “É fundamental que as empresas usem essas informações para reavaliar suas políticas de benefícios e assegurar que o vale-refeição cumpra seu papel essencial, que é garantir o bem-estar e a alimentação adequada de seus colaboradores", disse o executivo. — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil