"Com essas chuvas, há risco de quebra de safra no Rio Grande do Sul", afirmou a ministra Miriam Belchior O governo federal liberou R$ 1,335 bilhão do Orçamento para ações de enfrentamento aos efeitos do El Niño e anunciou a ampliação dos estoques públicos de arroz e milho, informou nesta quarta-feira (29) a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior. As medidas foram apresentadas durante reunião do primeiro escalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para mitigar os impactos do fenômeno climático. Do total liberado, R$ 998 milhões serão destinados a ações nas áreas de abastecimento de alimentos, segurança alimentar, saúde e monitoramento hidrológico. Os R$ 337 milhões restantes correspondem ao crédito extraordinário aberto por medida provisória (MP) para financiar ações de prevenção e combate a incêndios florestais, além de reforçar a fiscalização ambiental. Segundo a ministra, o governo comprará 301 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho diante do risco de quebra de safra com o El Niño. "Com essas chuvas, há risco de quebra de safra no Rio Grande do Sul", afirmou, em referência à produção de arroz. Na área de abastecimento de água, Belchior disse que, por enquanto, não há previsão de escassez hídrica nos reservatórios do Nordeste no segundo semestre de 2026. Segundo ela, o nível de armazenamento, agora em 53%, é considerado adequado para o período, e o Rio São Francisco está cheio, o que possibilita o bombeamento de água. A ministra ressaltou que, com a eventual escassez nos reservatórios, o governo terá que acionar as termelétricas e, para isso, tem que garantir uma reserva de diesel. Ela informou que o governo acompanha os estoques de combustíveis para evitar desabastecimento. “Com a escassez nos reservatórios há uma queda na geração de energia hidrelétrica, tem que acionar as termelétricas. Portanto, a gente tem que garantir diesel para a termelétrica. No Norte nós temos um número pequeno de rodovias, uma parte importante da distribuição de combustível vai pelos rios. Se os rios também baixam, tem um ponto sensível que temos que monitorar”, declarou. Além disso, o governo antecipou a distribuição de 160 mil cestas básicas e ampliou para 350 mil o total de cestas destinadas a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outros grupos vulneráveis. Também foram definidas ações específicas para áreas com maior risco de incêndios, com reforço da logística e mobilização de equipamentos. O El Niño entrou no radar do governo diante do risco de impactos sobre a inflação no segundo semestre, com a possibilidade do aumento de preços de alimentos e da energia. O fenômeno climático pode provocar seca no Norte e no Nordeste, além de chuvas intensas no Sul e calor extremo no centro do país. Após reunião técnica realizada em 16 de julho, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) informou que as projeções mais recentes indicam para a intensificação do El Niño nos próximos meses, com alta probabilidade de atingir intensidade forte ou muito forte entre agosto e dezembro. A perspectiva de um "super El Niño" elevou a preocupação do governo com a redução das chuvas em parte das regiões Norte e Centro-Oeste e com o aumento do risco de incêndios florestais na Amazônia, no Cerrado e na Caatinga. Especialistas avaliam que o fenômeno representa um choque macroeconômico com potencial para pressionar a inflação, elevar a necessidade de gastos públicos e dificultar o ciclo de redução da taxa básica de juros, atualmente em 14,25% ao ano. Como mostrou o Valor, os principais postulantes à Presidência da República incorporaram em seus programas de governo propostas para enfrentar os impactos da crise climática. Miriam Belchior — Foto: Agência Brasil/ABr
Governo anuncia R$ 1,3 bi para enfrentar o El Niño e amplia estoque de arroz e milho
"Com essas chuvas, há risco de quebra de safra no Rio Grande do Sul", afirmou a ministra Miriam Belchior











