As primeiras tempestades pesadas já caíram sobre o Rio Grande do Sul, atingindo 49 municípios na semana passada. Com precipitações acima de 100 mm por dia e ventos na casa dos 100 km/h, as tempestades são uma amostra do que pode vir pela frente. Para não ser taxado de bairrista, o Rio Grande do Norte também recebe chuvas acima do normal. Se as tempestades “normais” já causam danos de monta, o auxílio do El Niño deve potencializar os fenômenos, colocando o Brasil na rota de cataclismas muito mais fortes do que os verificados sem a sua ajuda.Chuvas torrenciais no Sul, secas prolongadas no Norte e instabilidade climática no Centro-Sul devem causar danos mais ou menos severos em boa parte do território nacional. Essas são as consequências tradicionais da influência do El Niño sobre o clima brasileiro. Só que este ano elas devem chegar maximizadas. As previsões falam de um super El Niño, vitaminado pelo aquecimento maior das águas do Oceano Pacífico, que deve desencadear fenômenos meteorológicos extremos, muito mais violentos do que os normalmente observados ao longo da sua ocorrência.'Tema das ameaças climáticas segue sendo discutido em nível hierárquico muito mais baixo do que o mínimo necessário' Foto: Divulgação/Prefeitura de Estre RSO assunto não é novo. Já tratei dele outras vezes na coluna; acontece que, infelizmente, o Brasil segue deitado em braço esplêndido, como se não houvesse nenhuma ameaça no horizonte. Só que as ameaças já mostraram a cara, num aperitivo que não foi bonito. As chuvas no Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte abrem perspectivas sombrias para milhões de brasileiros que poderão ser vítimas dos eventos decorrentes do aquecimento das águas do Pacífico.Leia tambémTiro no pé: grande prejudicado com taxação da previdência complementar aberta é o próprio governoPrejuízos com o crime ficam na conta da vítima, que não tem seguro para repor perdas A IA é um risco potencial que pode abalar as regras atuais para contratação de seguros?PUBLICIDADEChuva em excesso é um problema sério e seca acentuada também é. Neste cenário, vale lembrar que a Região Metropolitana de São Paulo atravessa um período de escassez de chuvas e que seus principais mananciais estão em nível de atenção.Inclusive, já foi dada autorização para a captação de água no Rio Paraíba do Sul para reforçar o abastecimento da Grande São Paulo.PublicidadeComo o clima do país vai se comportar ainda é uma incógnita, mas, de acordo com o ciclo anual das chuvas, dificilmente São Paulo terá precipitações significativas antes de outubro. Em outras palavras, as ameaças climáticas são reais e os prejuízos podem ser altíssimos, em vidas e patrimônio.O problema é que a campanha política está nas ruas e não se ouviu uma palavra dos principais candidatos a respeito do assunto. É como se não fosse um tema que exige planejamento para a adoção de medidas capazes de minimizar os danos. Até agora nenhum candidato falou nada.É verdade que o setor de seguros, inclusive com participação da Susep (Superintendência de Seguros Privados), está discutindo o assunto já faz tempo.Também é verdade que tem projeto de lei tratando dele. Mas, em termos concretos, temos apenas que a Associação Brasileira de Desenvolvimento criou um grupo para discutir projetos de resiliência climática e ações do poder público para enfrentar o quadro. A primeira reunião aconteceu na semana passada, sob comando dos representantes do Banco do Brasil e da Caixa. Ou seja, o tema segue sendo discutido em nível hierárquico muito mais baixo do que o mínimo necessário.