Inmet prevê acumulados superiores a 150 milímetros no Rio Grande do Sul e alerta para risco de alagamentos, ventos fortes e transtornos; volumes elevados também preocupam produtores rurais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Novo radar metereológico instalado em Porto Alegre após tragédia das chuvas em 2024 — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 20:58 El Niño aumenta risco de tempestades severas no Sul do Brasil Sob influência do El Niño, o Sul do Brasil enfrenta alerta de tempestades a partir de quinta-feira. O Inmet prevê chuvas intensas, superiores a 150 mm, no Rio Grande do Sul, com riscos de alagamentos e ventos fortes. O fenômeno climático, que aquece o Pacífico, intensifica chuvas na região, preocupando tanto áreas urbanas quanto rurais, especialmente na produção de trigo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de tempestade de nível laranja, que indica perigo, para boa parte do Rio Grande do Sul entre sexta-feira (17) e sábado (18). A previsão é de chuva intensa, com volumes que podem superar 150 milímetros no início da próxima semana no Rio Grande do Sul e no extremo sul de Santa Catarina, além de trovoadas e rajadas de vento. O aviso de nível laranja representa acumulados que podem chegar a 100 mm por dia de chuva e rajadas de vento de até 100 km/h, havendo risco de transtornos como alagamentos, queda de árvores, interrupção no fornecimento de energia e outros impactos associados a temporais. A previsão ganha ainda mais atenção porque o Rio Grande do Sul ainda convive com as marcas da tragédia provocada pelas enchentes de 2024, que devastaram cidades, causaram centenas de mortes e deixaram danos à infraestrutura que ainda permanecem na memória da população gaúcha. Segundo o Inmet, o cenário é favorecido pela atuação do fenômeno El Niño, que voltou a influenciar o clima no Brasil. O aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial altera a circulação da atmosfera e, no território brasileiro, costuma reduzir as chuvas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto aumenta a frequência e a intensidade das precipitações na Região Sul. O instituto informou que, na última semana, foram observados padrões atmosféricos típicos do fenômeno, indicando a consolidação de seus efeitos sobre o país. Como o El Niño favorece as chuvas De acordo com o Inmet, durante episódios de El Niño ocorre o fortalecimento dos chamados jatos de baixos níveis, ou seja, correntes de vento que transportam grande quantidade de umidade das áreas tropicais para o Sul do Brasil. Ao mesmo tempo, centros de baixa pressão previstos para atuar nos próximos dias devem intensificar esse fluxo de umidade. Um bloqueio atmosférico provocado por um sistema de alta pressão sobre o Atlântico e com influência nas regiões Centro-Oeste e Sudeste dificulta o deslocamento das frentes frias para outras áreas do país. Como consequência, a umidade permanece concentrada sobre a Região Sul, favorecendo chuvas persistentes e de grande volume. Previsão de precipitação acumulada (mm) para a Região Sul nos próximos 15 dias, obtida a partir do modelo Global Forecast System (GFS) — Foto: Divulgação / Inmet Tempestades começam na quinta-feira As instabilidades começam a ganhar força na quinta-feira (16), quando há previsão de tempestades no sudeste do Rio Grande do Sul e na região das Campanhas, com pancadas de chuva e trovoadas isoladas. Para esse dia, o Inmet emitiu um aviso de nível amarelo, que indica perigo potencial. Na sexta-feira (17), as condições se intensificam. As tempestades devem atingir desde o extremo sul até o noroeste do estado, incluindo a Região Metropolitana de Porto Alegre. Já no sábado (18), a formação de uma área de baixa pressão associada a uma frente fria aumenta ainda mais a instabilidade. Além do Rio Grande do Sul, as chuvas devem avançar para o centro-sul de Santa Catarina a partir da tarde. O INMET recomenda que a população acompanhe diariamente as atualizações das previsões e dos avisos meteorológicos, já que as condições podem sofrer alterações. Trigo será um dos destaques da Casa da Agricultura Sustentável, da Embrapa, em Belém (PA) — Foto: Leo Ribeiro/Divulgação Embrapa Preocupação também chega ao campo Além dos impactos nas cidades, a previsão preocupa o setor agropecuário. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura do trigo já alcançou 94,7% da área prevista no país. No Rio Grande do Sul, os trabalhos atingiram cerca de 87% da área estimada, com predominância de lavouras em fase inicial de desenvolvimento. Embora as chuvas contribuam para a reposição da umidade do solo, volumes elevados concentrados em poucos dias podem prejudicar o manejo das propriedades rurais. O excesso de água tende a dificultar operações como adubação, aplicação de produtos e o trânsito de máquinas, além de aumentar o risco de doenças fúngicas nas lavouras. De acordo com o Inmet, o manejo dos rebanhos e aumentando o risco de problemas sanitários provocados pelo excesso de umidade. Em áreas sujeitas a inundações, há ainda possibilidade de danos à infraestrutura rural, estradas vicinais e dificuldades no transporte da produção. Apesar de a chuva favorecer a recuperação das reservas hídricas, O Inmet recomenda que o monitoramento constante das condições das lavouras para reduzir perdas e preservar o potencial produtivo, especialmente das culturas de inverno, como o trigo.