Defesa Civil aponta que os danos derivam de precipitações intensas, vendavais, granizo, deslizamentos, alagamentos e inundações 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ponte no município de Quaraí, no Oeste do Rio Grande do Sul, coberta pela água — Foto: Reprodução/TV Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 22:39 Chuvas Intensas no RS: 169 Cidades Afetadas e Mil Desalojados Os temporais recentes no Rio Grande do Sul já afetam 169 municípios e obrigaram mais de mil pessoas a deixarem suas casas. A Defesa Civil alerta para riscos de inundações nas bacias dos rios Taquari e Caí. A situação reacende temores de desastres passados, com o fenômeno El Niño contribuindo para chuvas intensas. Governos locais enfrentam críticas pela falta de medidas preventivas eficazes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Dois anos após as enchentes que destruíram cidades gaúchas, a elevação dos níveis de rios e as fortes chuvas dos últimos dias reacenderam o medo de novas tragédias no estado. Os temporais já afetaram 169 municípios do Rio Grande do Sul e mais de mil pessoas precisaram sair de casa — são 728 desabrigados e 371 desalojados — em função das chuvas até a noite de quarta-feirs. Segundo a Defesa Civil, os danos derivam de precipitações intensas, vendavais, granizo, deslizamentos, alagamentos e inundações. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mantém para hoje o risco hidrológico muito alto para a continuidade das inundações nas bacias dos rios Taquari e Caí. O órgão aponta que a onda de cheia segue se deslocando e pode atingir a Região Metropolitana de Porto Alegre. — Nossa principal atenção está voltada aos rios que permanecem em cota de inundação, pois a manutenção dos níveis elevados ainda representa risco para comunidades ribeirinhas — diz o coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira. Moradores registraram os danos que atingem o estado. Em um vídeo que ilustra o desafio enfrentado pela população, um idoso é resgatado de um veículo submerso no município de Ciríaco, no Norte do estado. Identificado como Osvaldo Barea, ele foi retirado pela janela do carona quando a água já cobria completamente o capô. As imagens mostram dois homens que estavam em uma escavadeira ajudando o idoso a sair do automóvel. A força da água também levou um ônibus que tentava atravessar uma estrada submersa e acabou arrastado pela correnteza na terça-feira em Ibiraiaras, também Norte do estado. A Defesa Civil diz que o trecho estava alagado após o transbordamento de um rio próximo. Já em Santa Tereza, na Serra Gaúcha, uma moradora registrou quando uma casa foi levada pela enxurrada. Segundo a prefeitura, a estrutura foi arrastada até o Rio Taquari, que ultrapassou a cota de inundação ainda no início da manhã de quarta-feira. Em nenhum dos casos houve feridos. Até a manhã de quarta-feira, 18 rodovias estavam ao menos parcialmente bloqueadas em razão das chuvas. Segundo a Defesa Civil, a tendência é que o nível do Rio Taquari continue a subir nos próximos dias à medida que a água escoe pelos seus afluentes. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as áreas de instabilidade se deslocam hoje gradualmente para o norte da Região Sul, com potenciais tempestades em Santa Catarina e Paraná. Sinal do El Niño Para Marcelo Seluchi, meteorologista do Cemaden, as chuvas desta semana no Rio Grande do Sul representam um primeiro sinal do Super El Niño. — As chuvas foram distribuídas ao longo de três ou quatro dias. Isso costuma ocorrer quando há o El Niño. As frentes frias, que vêm do Sul, tendem a ficar estacionárias na região. Além disso, a previsão para as próximas três ou quatro semanas indica persistência de precipitações acima da média — afirma Seluchi. Doutora em Climatologia, Karina Bruno Lima ressalta que outros fatores influenciaram as chuvas desta semana. — A atmosfera é complexa e, mesmo no desastre de 2024, houve vários fatores se somando para tornar as chuvas tão severas. O El Niño contribui, tornando o contexto climático mais propício, e aumenta a probabilidade dos extremos, mas nunca é o único ator, especialmente num planeta cada vez mais quente — explica a pesquisadora, que completa: — Desastres dependem também das vulnerabilidades locais; o nível de preparo, então, é também determinante para o grau dos danos. Segundo a gestão do governador Eduardo Leite (PSD), a previsão para conclusão das obras, “em razão da sua complexidade”, é o fim de 2031. Especialistas ressaltam, por outro lado, o alto investimento feito até aqui em mecanismos de resposta, como a modernização da Defesa Civil. — O El Niño pode ser muito forte até o fim do ano, com chuvas excessivas no Sul. Mas, diferentemente do que ocorreu em 2024, há agora melhor resposta do estado e dos municípios na preparação — avalia o climatologista Carlos Nobre. Insegurança Morador de Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, o empresário Luis Carlos Pereira, de 54 anos, teme que o escoamento dos rios inundados no interior do estado provoque uma nova tragédia na cidade e o obrigue a deixar a casa mais uma vez. Após as enchentes de 2024, a região onde vive foi incluída em uma política de remanejamento de residências. Estado e prefeitura prometeram compra assistida ou subsídio para novas moradias, mas a mudança definitiva não ocorreu. — Moramos em um bairro que faz divisa com Porto Alegre, a cerca de 400 metros da beira do Rio Jacuí. Acredito que até sexta-feira a água esteja chegando aqui. Com uma enchente, teríamos que sair de casa novamente — afirma. Pereira cobra a ação de governantes, na esperança de dias melhores: — Minha filha está em uma casa provisória até hoje. A casa dela foi coberta pela água em 2024. Daria para reestruturar, mas, como disseram que não podemos morar aqui, estamos aguardando as providências. Disputa política As inundações movimentam também o debate eleitoral no estado. O deputado federal Luciano Zucco (PL), candidato a governador, criticou a gestão de Leite, que tenta emplacar o vice, Gabriel Souza (MDB), como sucessor. O bolsonarista diz não ser possível “aceitar que prefeitos e cidadãos precisem ligar uns para os outros de madrugada para evacuar famílias porque a prevenção oficial falhou”. “Nossa cobrança não é oportunismo, é indignação com o abandono. Prevenção se faz com antecedência e investimento sério”, escreveu no X. Já Leite disse nas redes sociais que o governo monitora a “situação em tempo real e mobiliza toda a estrutura do estado para apoiar os municípios”.