Maior parte do recurso será destinada à compra de 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho para reforçar os estoques públicos diante do risco de quebra de safra 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Em 2023, El Niño aumentou as temperaturas de todo o Brasil e causou queimadas no cerrado — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo Diante da previsão de um episódio de El Niño considerado muito forte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros nesta quarta-feira para definir um plano de enfrentamento aos impactos do fenômeno e anunciou um pacote de R$ 1,3 bilhão para ações de prevenção e resposta. Os recursos serão destinados principalmente à formação de estoques públicos de alimentos, combate a incêndios florestais, monitoramento climático e reforço da estrutura de saúde. Segundo projeções citadas pelo governo, o fenômeno deve provocar seca mais intensa na Região Norte, aumento do risco de incêndios florestais, atraso das chuvas no Centro-Oeste e Sudeste e precipitações acima da média no Sul, com possibilidade de enchentes e deslizamentos. A estratégia apresentada busca reduzir os efeitos desses eventos sobre o abastecimento de alimentos, a geração de energia, a navegação dos rios e o atendimento à população. Do total anunciado, R$ 850 milhões serão destinados à compra de 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho para reforçar os estoques públicos diante do risco de quebra de safra. Como parte da estratégia, o governo criou uma Sala de Situação do El Niño, que reúne 24 ministérios e órgãos federais para acompanhar a evolução do fenômeno e coordenar medidas com estados e municípios. Entre as ações previstas estão o reforço das operações de combate aos incêndios em áreas prioritárias, monitoramento da logística de combustíveis e alimentos e acompanhamento das condições de abastecimento de água e energia. Diante da previsão de um episódio de El Niño considerado muito forte entre 2026 e 2027, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu integrantes e dirigentes dos ministérios e órgãos ambientais e agrícolas na manhã desta quarta-feira para definir um plano de enfrentamento aos impactos do fenômeno e anunciou um pacote de R$ 1,3 bilhão para ações de prevenção e resposta. Os recursos serão destinados principalmente à formação de estoques públicos de alimentos, combate a incêndios florestais, monitoramento climático e reforço da estrutura de saúde. Segundo as projeções apresentadas pelo governo, o El Niño deve ter intensidade superior a 2 °C, classificação considerada "muito forte". O fenômeno pode provocar seca mais intensa na Região Norte, ondas de calor, atraso das chuvas no Centro-Oeste e Sudeste e precipitações acima da média na Região Sul, elevando os riscos de incêndios florestais, enchentes, deslizamentos, prejuízos à produção agrícola e impactos sobre a navegação dos rios e o abastecimento de água. A estratégia apresentada busca reduzir os efeitos desses eventos sobre o abastecimento de alimentos, a geração de energia, a navegação dos rios e o atendimento à população. A maior parcela dos recursos será destinada à formação de estoques públicos de alimentos. O governo prevê investir R$ 850 milhões na compra de 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho, diante do risco de perdas na produção agrícola em decorrência do fenômeno climático. O plano também reserva R$ 65 milhões para a aquisição e distribuição de 350 mil cestas de alimentos voltadas a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares. A estratégia também mira possíveis impactos sobre o abastecimento de combustíveis e a geração de energia, especialmente na Região Norte. A seca pode reduzir o nível dos rios utilizados para transporte de cargas, dificultando o envio de diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) para municípios da Amazônia. Ao mesmo tempo, a queda do volume de água nos reservatórios pode reduzir a geração hidrelétrica nas usinas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte, aumentando a necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que dependem de óleo diesel. Por isso, o plano prevê monitoramento permanente dos estoques de combustíveis, ampliação da capacidade de armazenagem e medidas para garantir o abastecimento das termelétricas caso o cenário se confirme. Na área da saúde, o governo prevê R$ 45 milhões para fortalecer os Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) e a Força Nacional do SUS. Os centros acompanharão impactos epidemiológicos relacionados a ondas de calor, secas, incêndios, enchentes e outros eventos extremos, enquanto a Força Nacional contará com nove bases regionais para ampliar a capacidade de resposta em emergências. Para coordenar as ações, o governo criou uma Sala de Situação do El Niño, integrada por 24 ministérios e órgãos federais. O grupo ficará responsável por acompanhar continuamente as condições meteorológicas e hidrológicas, identificar áreas de maior risco e articular respostas com estados e municípios. Participam da estrutura órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), a Agência Nacional de Águas (ANA), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Defesa Civil Nacional. O plano prevê ainda uma operação reforçada para prevenção e combate aos incêndios florestais. O governo definiu áreas prioritárias de atuação no Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Tocantins, com postos de comando, helicópteros, aeronaves para lançamento de água, aviões de transporte de equipes, veículos especializados e reforço logístico. Também estão previstas ações específicas em assentamentos rurais considerados mais vulneráveis ao fogo, incluindo formação de agentes territoriais, elaboração de mapas locais de risco e mecanização do preparo do solo para reduzir o uso de queimadas. Ao comentar o planejamento, Lula afirmou que o governo nunca esteve tão preparado para enfrentar um evento climático dessa magnitude. O presidente disse acreditar que nenhum outro país organizou uma preparação semelhante e afirmou que, caso o fenômeno tenha efeitos mais severos, a estrutura anunciada permitirá uma resposta mais rápida. — Eu não sei se houve em algum lugar do mundo alguém que teve a preocupação de fazer um tipo de preparação que fizemos aqui no Brasil. Não acredito que outro país tenha se manifestado com tanta preciosidade de preocupações para enfrentar o El Niño — afirmou. Lula ponderou que ainda não é possível estimar a dimensão dos impactos do fenômeno, mas defendeu a decisão de antecipar as ações. — Se ele acontecer de forma grave nós estamos preparados. Se não acontecer, valeu a intenção de se preparar. O que é duro é quando acontece alguma coisa e ninguém está preparado.