Projeto prevê corredores logísticos conectando rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, mas execução ainda enfrenta entraves 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A RJ-106, conhecida como Rodovia Amaral Peixoto, tem cerca de 200 quilômetros de extensão e liga a RJ-104, no município de São Gonçalo, à BR-101, no município de Macaé. Na foto, a rodovia no trecho que passa em Maricá. — Foto: Marcia Foletto RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/07/2026 - 01:55 Brasil Busca Integração de Modais para Reduzir Custos Logísticos em 40% até 2050 O Brasil enfrenta desafios históricos na integração de seus modais de transporte, dependente principalmente de rodovias. O Plano Nacional de Logística 2050 tenta solucionar isso, propondo corredores logísticos que conectam rodovias, ferrovias e hidrovias. Embora promissor, o plano esbarra em obstáculos regulatórios e na falta de investimentos intermodais. A expectativa é que a integração possa reduzir custos logísticos em até 40%. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A despeito de os portos brasileiros operarem a pleno vapor, o escoamento de cargas até eles segue majoritariamente por rodovias, mais caras e menos eficientes, um gargalo histórico. Depois de ao menos cinco ciclos de planejamento logístico interrompidos nos últimos 20 anos, o país tenta de novo destravar a integração entre os modais com o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, agora organizado em torno de corredores logísticos integrados. O plano, que vem sendo desenhado pelo Ministério dos Transportes e pela Infra S.A., empresa pública federal vinculada à pasta, propõe conectar as origens das cargas aos portos por rodovias, ferrovias e hidrovias, com investimentos pensados para toda a cadeia, não mais obra a obra. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a navegação interior e a cabotagem respondem hoje por só 14% da matriz logística nacional, mesmo com mais de 20 mil quilômetros de rios navegáveis e potencial para chegar a 40 mil. O chamado PNL 2050 está sendo elaborado desde 2024 e, de lá para cá, já passou por consultas públicas, encontros regionais e um diagnóstico com 12 desafios prioritários. A expectativa é que ele seja apresentado ainda este ano. Mais integrado no Sul e SP Segundo levantamento da Ilos, consultoria especializada em logística e supply chain, as rodovias responderam no ano passado por 62,7% das toneladas por quilômetro útil (TKU) transportadas. Um número que pouco se alterou desde 2014, quando ficou em 66,7%, diz Paulo Resende, diretor do núcleo de logística da Fundação Dom Cabral. Um vagão de trem carrega o equivalente a dois caminhões e meio, lembra ele, e um comboio com cem vagões pode tirar mais de 300 caminhões das estradas numa só viagem: — O círculo vicioso em que o Brasil entrou de altíssima dependência de rodovias impede a integração dos modais. Paulo Resende, especialista em mobilidade e logística da Fundação Dom Cabral — Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo Segundo ele, os projetos de investimento raramente seguem critérios de intermodalidade, e a desigualdade regional agrava o problema. São Paulo e o Sul têm indicadores melhores de intermodalidade, mas o Centro-Oeste, o Norte e o Nordeste seguem com desintegração quase total. É nessa lógica de corredores que Resende vê esperança. Ao traçar rotas completas em vez de projetos estanques, será possível montar as equações de custo, emissão e eficiência do transporte intermodal. Falta, porém, uma referência de frete para o transporte intermodal (hoje só existem preços de referência por modal isolado), além de um marco regulatório que trate a integração como pauta de pacto federativo, já que os corredores atravessam fronteiras estaduais. Segundo Resende, integrar os modais poderia reduzir o custo logístico em 30% a 40%, patamar já alcançado por China e EUA. A comparação internacional expõe o déficit. Segundo Maurício Lima, sócio-fundador da Ilos, a China constrói, por ano, o equivalente a um Brasil inteiro de infraestrutura em alguns modais. — O investimento brasileiro é tão baixo que é menor do que a depreciação da infraestrutura. Ou seja, a cada ano o país fica pior em vez de melhorar. Apesar das dificuldades, o Ministério dos Transportes cita alguns dos projetos para ampliar essa integração. Entre eles a Ferrovia Transnordestina, ligando o interior nordestino aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), e as hidrovias dos rios Paraguai, Madeira e Tapajós, estratégicas para o transporte de grãos e minérios do Centro-Oeste e do Norte rumo aos portos do Arco Norte.
Por que o Brasil não consegue integrar seus modais? Entenda a aposta do governo para destravar nó logístico
Projeto prevê corredores logísticos conectando rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, mas execução ainda enfrenta entraves







