Líder da Meta não citou nominalmente as startups que lideram corrida da inteligência artificial, mas partiu para o ataque contra centralização de poder em entrevista ao jornal The New York Times 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Zuckerberg demonstra óculos inteligentes da Meta — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/07/2026 - 23:17 Mark Zuckerberg critica centralização da IA por Anthropic e OpenAI Mark Zuckerberg criticou as startups Anthropic e OpenAI por centralizar o desenvolvimento da IA, o que, segundo ele, limita o acesso à tecnologia. Em entrevista ao New York Times, o CEO da Meta defendeu modelos mais abertos, enfatizando a democratização da IA. O debate sobre IA esquentou nos EUA, com empresas como Microsoft e Nvidia apoiando a abertura, enquanto Anthropic e OpenAI alertam para riscos de segurança. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Mark Zuckerberg partiu para o ataque contra a Anthropic e a OpenAI, duas das startups de inteligência artificial mais valiosas do mundo, afirmando que a maneira como elas desenvolveram seus programas de IA poderia levar a uma centralização de poder que restringiria o acesso das pessoas à tecnologia transformadora. Em entrevista concedida hoje ao jornal americano The New York Times, o CEO da Meta, de 42 anos, não mencionou a Anthropic e a OpenAI nominalmente. Mas afirmou que, caso os principais laboratórios de pesquisa quisessem desenvolver hoje a tecnologia de IA de maneira rigidamente controlada — como fizeram a Anthropic e a OpenAI —, isso equivaleria a “abandonar nossos valores” no desenvolvimento tecnológico americano e sufocaria a inovação. — Grande parte do discurso de muitos dos outros laboratórios que estão desenvolvendo isso é esmagadoramente dominada por previsões catastróficas — disse Zuckerberg. — É preciso haver uma voz, ou várias vozes, que tragam realismo a esse debate. Debate esquenta nos EUA As declarações de Zuckerberg, que raramente concede entrevistas a organizações jornalísticas tradicionais, intensificam um debate sobre como os programas de IA devem ser criados, uma discussão que dividiu o Vale do Silício, o polo de alta tecnologia dos EUA. Especialistas em IA que lideram os negócios mais promissores na área nos EUA, como Dario Amodei, CEO da Anthropic, e Sam Altman, CEO da OpenAI, já afirmaram que alguns dos principais modelos de IA atuais são perigosos demais para serem compartilhados e desenvolvidos sem controles rígidos. Microsoft, Nvidia, Google e Meta, porém, discordaram, argumentando que muitos modelos de IA precisam ser desenvolvidos de forma amplamente aberta para que as pessoas possam fazer a tecnologia avançar e criar novos negócios. Meta oscilante A Meta tem oscilado nesse quesito. A empresa defendeu a IA de código aberto no começou de seus investimentos na área e disponibilizou gratuitamente seus modelos de linguagem. Mas, no ano passado, ao ver os modelos fechados de Anthropic e OpenAI superarem sua empresa na corrida da inteligência artificial, Zuckerberg alterou seus modelos de negócio. Na entrevista de hoje, o líder da Meta reconheceu que o debate sobre a IA era controverso e observou que as conversas com diferentes partes no Vale do Silício e em Washington haviam sido produtivas: — Não sei se o objetivo é fazer com que todos concordem em tudo. Quase por definição, se você acredita no que eu acredito, não precisa convencer todo mundo de tudo. Ao analisar a trajetória da IA, ele afirmou que a democratização das ferramentas tecnológicas tendeu, no fim das contas, a prevalecer: — Acredito que o movimento geral da indústria tem sido em direção a uma abertura maior e a colocar o poder da tecnologia nas mãos de mais pessoas, e não de menos. China eleva a pressão A divergência se intensificou neste mês, à medida que avanços em modelos chineses de IA pareceram reduzir a vantagem inicial desfrutada por empresas americanas como a Anthropic e a OpenAI. As empresas fizeram lobby junto a autoridades reguladoras em Washington, manifestando preocupação com modelos chineses de IA de código aberto. Na sexta-feira, Jensen Huang, CEO da Nvidia, publicou uma carta em apoio ao desenvolvimento de programas de código aberto, que recebeu a adesão de outras figuras do Vale do Silício. Nesta semana, Huang anunciou uma coalizão para trabalhar em ferramentas de segurança e cibersegurança de código aberto para a IA, com a participação de outras gigantes de tecnologia, como SpaceX e IBM. Executivos de tecnologia, entre eles Huang e Altman, estão viajando a Washington nesta semana para reforçar seus argumentos perante o governo Trump, que avalia como lidar com a questão. Em meio à disputa, Zuckerberg tem defendido repetidamente que mais pessoas, e não menos, deveriam ter acesso à tecnologia de IA, em uma crítica velada a Amodei e Altman. 'Superinteligência personalizada' Amodei, em particular, tem chamado a atenção para os perigos do chamado “risco de alinhamento”, uma questão relacionada à programação da inteligência artificial de modo que ela seja segura para os seres humanos. — Acho que muitas pessoas têm essa ideia de que, se você construir algum tipo de IA única, poderá, por meio de alguma forma idealizada de alinhamento, garantir que ela seja benevolente com a Humanidade — disse Zuckerberg na entrevista. — Pessoalmente, sou cético em relação a esse caminho. Em vez disso, ele defendeu uma “superinteligência personalizada” para todos, o que significaria configurar robôs de IA de acordo com as necessidades e os desejos de cada pessoa. Uma superpotência central de IA “benevolente”, argumentou, seria inviável, porque as pessoas têm visões e sistemas de valores diferentes. — Acho literalmente impossível ter uma única superinteligência benevolente que esteja simultaneamente alinhada com todos ao mesmo tempo — disse Zuckerberg. Profissionais pedem freio Representantes da Anthropic e da OpenAI não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Em declarações anteriores, a OpenAI afirmou que apoia programas de código aberto e que trabalha com a Casa Branca em formas seguras de apoiar o desenvolvimento da IA. Em uma publicação feita na segunda-feira, Amodei afirmou que a Anthropic estava concentrada em “manter chips poderosos fora do alcance de regimes autoritários, impedir a destilação em escala industrial e exigir testes de segurança de todos os modelos com capacidade suficiente, abertos ou fechados”. Na terça-feira, importantes pesquisadores de IA da Anthropic, da OpenAI, da Meta e do Google também assinaram uma carta aberta intitulada “Pacing the Frontier”, algo como “Controlando o ritmo do avanço da fronteira tecnológica” —, na qual defenderam um esforço internacional para desenvolver ferramentas técnicas e de governança capazes de desacelerar o desenvolvimento da IA por razões de segurança. A OpenAI publicou a carta nas redes sociais. Meta mudou de ideia A própria filosofia da Meta em relação ao desenvolvimento da IA tem oscilado. Durante anos, a empresa defendeu a IA de código aberto e disponibilizou gratuitamente seus modelos de IA. Na primavera passada, depois de ficar atrás da Anthropic e da OpenAI na corrida da inteligência artificial, Zuckerberg tomou providências. Ele investiu US$ 14,3 bilhões na ScaleAI, uma startup de IA, e contratou seu fundador, Alexandr Wang, para reformular a divisão de inteligência artificial da Meta, que passou a se chamar Meta Superintelligence Labs. A Meta gastou bilhões para montar, em torno de Wang, uma equipe formada por pesquisadores de IA de destaque, que começaram a desenvolver um modelo de inteligência artificial que não era aberto, mas fechado. A mudança deu à Meta a possibilidade de vender o acesso aos novos modelos e obter mais receita. Neste mês, a empresa começou, pela primeira vez, a vender acesso ao seu modelo de IA mais recente, o Muse Spark. A Meta também continua desenvolvendo modelos de código aberto.