CEO da Meta enfatizou sua convicção de que ampliar o acesso aos modelos de inteligência artificial é fundamental para o futuro do setor 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mark Zuckerberg, CEO da Meta, apresentou suas visões sobre inteligência artificial em um ensaio de 6.500 palavras publicado na segunda-feira — Foto: Kyle Grillot/Bloomberg O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, apresentou suas visões sobre inteligência artificial em um ensaio de 6.500 palavras publicado na segunda-feira, enfatizando sua convicção de que ampliar o acesso aos modelos de IA é fundamental para o futuro do setor. “A ideia de que a IA é tão perigosa que o único caminho seguro é uma concentração extrema de poder parece inerentemente problemática”, escreveu Zuckerberg, contestando uma visão sobre a IA defendida por startups americanas como a OpenAI e a Anthropic . “Historicamente, esperar que um poder absoluto cuide benevolentemente da humanidade, desde que seja suficientemente esclarecido, não produziu resultados seguros ou positivos”, acrescentou. A carta de Zuckerberg é a mais recente manifestação de um gênero cada vez mais comum de manifestos escritos por executivos de empresas de IA, nos quais eles apresentam suas visões para a tecnologia emergente. Mais filosóficos do que técnicos, esses textos buscam estabelecer o lugar de suas empresas no setor e defender como a IA deveria ser empregada para sustentar suas respectivas versões de um futuro tecnológico otimista. Confira cinco pontos essenciais da mensagem de Zuckerberg: 1. A Meta ainda aposta na IA de código aberto e com pesos abertos Meta lança modelo de IA de código aberto simplificado para uso doméstico — Foto: Bloomberg Durante anos, a Meta afirmou ser totalmente favorável aos modelos de IA de “código aberto”, expressão usada no setor para descrever a disponibilização pública dos componentes básicos da tecnologia, permitindo que desenvolvedores façam o download, utilizem e modifiquem os modelos. A empresa investiu pesadamente em sua família de modelos Llama, lançada inicialmente em 2023, mas que acabou ficando aquém das expectativas do Vale do Silício. No último ano, porém, a Meta, controladora do Facebook e do Instagram, mudou de estratégia. A empresa contratou uma nova equipe de pesquisadores, criou o Meta Superintelligence Labs e passou a priorizar uma nova geração de modelos que poderia manter sob propriedade exclusiva e cobrar dos usuários pelo acesso. Embora o Llama pareça estar caminhando para a aposentadoria, a carta de Zuckerberg deixa claro que o CEO não abandonou completamente a ideia de oferecer aos desenvolvedores acesso mais amplo aos produtos de IA da Meta. Em seu texto, ele menciona o código aberto pelo menos 16 vezes e ressalta a importância da liderança dos Estados Unidos nessa área. Na segunda-feira, a empresa anunciou um novo sistema de pesos abertos chamado Muse Glimmer. Os usuários podem baixar e modificar o modelo, mas não terão acesso a todos os componentes utilizados em sua criação. A Meta afirmou que também pretende disponibilizar os pesos de uma versão de seu modelo mais poderoso, o Muse Spark. Esses pesos são os valores internos que o modelo aprendeu durante o treinamento e que ajudam a determinar como ele responderá a futuros comandos. 2. A concentração do controle da IA representa um grande risco Para Zuckerberg, concentração do controle da IA representa um grande risco — Foto: Inteligência Artificial Zuckerberg também levantou preocupações sobre a possibilidade de o controle da inteligência artificial ficar concentrado nas mãos de algumas poucas grandes instituições — como empresas e governos —, embora tenha evitado citar qualquer um dos concorrentes da Meta. “Isso naturalmente levará a resultados menos favoráveis para todos os demais”, escreveu. “Isso não é um princípio tecnológico. É uma questão de equilíbrio de poder. Não existe algo como uma superinteligência benevolente única”. Zuckerberg argumentou que o acesso amplo à IA distribui o poder e leva a uma maior competição. É uma tese defendida atualmente por um número crescente de executivos de tecnologia — uma crítica velada à OpenAI e à Anthropic, que se consolidaram como líderes da corrida acelerada pela IA e têm se concentrado mais em controlar o acesso às suas tecnologias. 3. A IA pode ampliar o mercado de trabalho Chefe da Meta acredita que, no futuro próximo, haverá novos empregos que hoje não são comuns. — Foto: Bloomberg Zuckerberg rejeitou as preocupações manifestadas por autoridades em Washington e até mesmo por alguns integrantes do Vale do Silício de que a inteligência artificial resultará em “menos empregos no geral”. Em vez disso, o chefe da Meta vislumbra um mundo com “um número maior de empresas, cada uma empregando menos pessoas”. Segundo ele, a tecnologia permitirá que os indivíduos sejam mais empreendedores, e cada pessoa contará com um “tutor e coach personalizado com doutorado em todas as áreas” para ajudá-la a progredir. “As pessoas também estão constantemente criando novas ideias para melhorar nossas vidas e novos empregos para transformar essas ideias em realidade”, escreveu. “No futuro próximo, haverá novos empregos que hoje não são comuns.” Há uma dose considerável de ironia nessa visão: Zuckerberg cortou oito mil postos de trabalho na Meta no início deste ano em resposta à mudança de estratégia da empresa em direção à IA. 4. Comunidades onde há data centers receberão US$ 1 bilhão Meta também anunciou na segunda-feira um fundo de US$ 1 bilhão para investir em comunidades onde a empresa possui e opera data centers — Foto: Bloomberg A Meta também anunciou na segunda-feira um fundo de US$ 1 bilhão para investir em comunidades onde a empresa possui e opera data centers. Uma dessas comunidades é Richland Parish, na Louisiana, onde a Meta está construindo um data center que, em última instância, poderá custar mais de US$ 250 bilhões. Com o compromisso, a Meta busca responder às crescentes preocupações sobre o impacto local da nova infraestrutura de IA. Os data centers têm provocado a reação de comunidades em todo os EUA diante dos temores de que essas instalações sobrecarreguem os recursos locais e elevem os custos de água e energia. “O desenvolvimento de infraestrutura sustentável significa que as comunidades precisam se beneficiar significativamente de cada projeto”, escreveu Zuckerberg, acrescentando que isso inclui empregos bem remunerados e investimentos em escolas e serviços públicos. Ele acrescentou que, em Richland Parish, professores locais receberam um bônus de US$ 50 mil graças ao aumento da arrecadação tributária proporcionado pelo investimento da Meta. No entanto, o conselho escolar vem preparando os professores para uma redução desse bônus nos próximos anos, à medida que os benefícios iniciais do crescimento acelerado da região diminuam. Presidente da China, Xi Jinping: chineses encostaram nos americanos na corrida da IA — Foto: Brendan SMIALOWSKI / POOL / AFP Zuckerberg vem alertando há anos que a China representa uma ameaça tecnológica aos Estados Unidos. Em seu texto, ele voltou a expor o que considera ser o risco de os EUA perderem terreno para a China caso os legisladores americanos adotem regras e regulamentações excessivamente rígidas para a IA. “As comunidades americanas terão maior prosperidade e segurança se os Estados Unidos e seus aliados liderarem a IA em comparação com os rivais geopolíticos”, escreveu. Isso é mais difícil porque “é mais difícil construir infraestrutura aqui” do que na China, acrescentou. Os Estados Unidos precisarão acelerar seu desenvolvimento de IA, incluindo seus projetos de infraestrutura, para acompanhar o ritmo, escreveu Zuckerberg. Ele elogiou as medidas americanas que restringem as vendas de chips avançados de IA e outros equipamentos de hardware para a China. “Os controles de exportação sobre o silício foram eficazes para desacelerar o avanço de laboratórios estrangeiros durante este período crítico, portanto, é a decisão estratégica correta mantê-los”, acrescentou.