Gerando resumoLIMA - Keiko Fujimori toma posse nesta terça-feira, 28, como presidente do Peru, assumindo o comando do país com a promessa de endurecer o combate à criminalidade e enfrentar a instabilidade política que marcou a última década. Eleita em junho por uma margem inferior a 50 mil votos sobre Roberto Sánchez, ela governará até 2031.PUBLICIDADEAos 51 anos, Keiko retorna ao centro do poder após três derrotas consecutivas em segundos turnos presidenciais. Sua vitória marca o retorno do fujimorismo ao governo, movimento político criado por seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), cuja trajetória segue dividindo a sociedade peruana.Durante a campanha, a presidente eleita defendeu medidas rígidas para conter o avanço da violência. Entre as propostas estão operações de busca e apreensão em áreas dominadas pelo crime organizado, expulsão de imigrantes em situação irregular, criação de tribunais anônimos para julgar integrantes de organizações criminosas e a retirada do Peru da jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos.PublicidadeKeiko Fujimori, acena ao chegar para votar em Lima, em 12 de abril de 2026, durante a eleição presidencial Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFPO discurso de segurança ganhou força em meio ao agravamento da violência no país. Os homicídios passaram de cerca de 1 mil em 2018 para 2,6 mil em 2025, enquanto as denúncias de extorsão saltaram de 3,2 mil para 26,5 mil no mesmo período.Apesar da vitória, Keiko também terá de lidar com um cenário político instável. Desde 2016, o Peru teve oito presidentes, entre destituições, renúncias e governos interinos. O fujimorismo, embora seja uma das principais forças no Congresso, é apontado por parte dos analistas como um dos atores da crise institucional que se prolonga há anos.Nos últimos dias de transição, Keiko buscou adotar um discurso de conciliação e voltou a defender uma “reconciliação nacional”. Ainda assim, seu partido e os demais grupos de direita não terão maioria suficiente no Congresso para aprovar todas as propostas sem negociar com outras bancadas.PublicidadePrimeiras nomeaçõesNa véspera da posse, Keiko anunciou os primeiros integrantes de seu governo. O vice-presidente eleito, Luis Galarreta, será o presidente do Conselho de Ministros, equivalente ao cargo de primeiro-ministro.“Pedi a ele que lidere um gabinete unido, que trabalhe com senso de urgência, ouça a população e tenha sua gestão avaliada pelos resultados”, afirmou a presidente eleita.Também foram confirmados o economista Elmer Cuba para o Ministério da Economia e Carlos Espá, ex-jornalista e ex-candidato à Presidência, no comando do Ministério das Relações Exteriores. Os demais ministros deverão ser anunciados após a cerimônia de posse.PublicidadeDesafios do novo governoAlém da crise na segurança pública, Keiko terá de enfrentar os impactos esperados de um forte episódio do fenômeno El Niño, que pode provocar chuvas intensas, secas prolongadas e aquecimento anormal das águas do Pacífico. Meteorologistas alertam que o evento pode ser o mais severo desde 1998.Os efeitos climáticos representam um risco para a economia peruana, especialmente para setores como agricultura, pesca e infraestrutura, em um momento em que o governo também busca estimular o crescimento econômico e recuperar a confiança dos investidores.Filha de Alberto Fujimori, Keiko herdou tanto a base política quanto as controvérsias do ex-presidente. Enquanto seus apoiadores atribuem ao pai a derrota da guerrilha do Sendero Luminoso e o controle da hiperinflação nos anos 1990, críticos lembram o fechamento do Congresso, as violações de direitos humanos e os casos de corrupção que levaram ao fim de seu governo. A nova presidente inicia o mandato sob a expectativa de mostrar que conseguirá construir uma gestão própria em um dos períodos mais desafiadores da história recente do Peru. /AFPPublicidadePUBLICIDADELeia tambémKeiko Fujimori escolhe principais ministros antes de assumir presidência do PeruA escolha diante de Keiko Fujimori no Peru: vingar o pai ou construir um legado democráticoPeru se aproxima do ‘caminho de ordem e esperança’, diz Keiko Fujimori após vitória nas eleições