Presidente toma posse nesta terça-feira com promessa de 'reconciliação nacional' e combate ao crime, mas legado do ex-presidente Alberto Fujimori é motivo de resistência das ruas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, acena ao chegar ao Ministério das Relações Exteriores para reuniões bilaterais com delegações estrangeiras, antes de sua posse em Lima, em 27 de julho — Foto: Connie France/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/07/2026 - 11:31 Keiko Fujimori assume presidência do Peru em meio a desafios e desconfiança Keiko Fujimori assume a presidência do Peru prometendo "reconciliação nacional" e combate ao crime, mas enfrenta desconfiança devido ao legado de seu pai, Alberto Fujimori. Com uma trajetória política marcada por derrotas anteriores e uma vitória apertada, Keiko lidera um governo que busca estabilização em um Congresso polarizado. Desafios como o fenômeno El Niño e tensões sociais persistem, enquanto manifestantes criticam seu histórico e o de seu partido, Força Popular. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com promessas de liderar uma "reconciliação nacional" e derrotar a crescente criminalidade no país, a líder de direita Keiko Fujimori toma posse como presidente do Peru nesta terça-feira, encerrando uma jornada eleitoral marcada por um pleito decidido por menos de 50 mil votos — e uma espera particular que envolveu outras três tentativas de chegar à Casa de Pizarro, antes da vitória no mês passado. Filha do ex-presidente autocrático Alberto Fujimori, Keiko assume um dos cargos políticos mais instáveis do planeta, ocupado por oito mandatários na última década, a maioria terminando destituída, presa ou investigada criminalmente. A cerimônia na capital peruana, com presença de líderes estrangeiros como o rei da Espanha, Felipe VI, marca o início de um governo eleito para exercer o poder até 2031. Líder do partido Força Popular e do movimento político atrelado ao nome de seu falecido pai, Keiko tem como trunfo a maior bancada no Congresso peruano — que a partir desta legislatura, começa a contar com um sistema bicameral, dividido em Câmara e Senado. Embora a maioria não seja suficiente para aprovar sozinha os projetos da presidente, o quórum deve ser importante para barrar eventuais tentativas de retirá-la do cargo. Keiko conquistou votos com um apelo ao legado de Fujimori, que polariza os peruanos até os dias de hoje, prometendo governar com a mesma mão de ferro do pai, que enfrentou o conflito armado interno envolvendo a guerrilha maoísta Sendero Luminoso — embora o pai tenha sido condenado por crimes contra a humanidade ao fim de seu período na Presidência. Keiko agora propõe operações de busca e apreensão em áreas perigosas, expulsão de migrantes em situação irregular, instalação de tribunais anônimos e a retirada do país da Corte Interamericana de Direitos Humanos como formas de superar o avanço da criminalidade, que fez o número de homicídios no país de 34 milhões de habitantes saltar de mil em 2018 para 2,6 mil em 2025. A presidente anunciou os primeiros nomes de seu governo ainda na segunda-feira, com a nomeação de seu vice-presidente, Luis Galarreta, como futuro chefe de gabinete. Keiko também nomeou para o Ministério da Economia o economista Elmer Cuba, ex-diretor do Banco Central, enquanto o ex-jornalista de televisão e ex-candidato à Presidência Carlos Espá será seu Ministro das Relações Exteriores. — Pedi (...) que lidere um gabinete unido, que trabalhe com senso de urgência, que ouça a população e que sua gestão seja avaliada pelos resultados — disse a presidente ao anunciar a escolha de Galarreta. Chance de estabilização Observadores acreditam que Keiko é a presidente com melhor chance de ter um mandato estável em anos. No âmbito internacional a presidente integra a guinada conservadora latino-americana, em um momento em que Donald Trump busca reafirmar a predominância dos EUA no hemisfério. No cenário interno, as mudanças estruturais e a conjuntura também são favoráveis. Seu mandato coincide com o retorno do Congresso bicameral, uma mudança concebida para dificultar a destituição do presidentes pelo Legislativo. Além da base parlamentar mais sólida do que a de governos anteriores, seu partido começa a costurar apoios importantes no Congresso. No domingo, o Força Popular obteve por uma margem estreita o apoio necessário para liderar o Senado ao lado de um partido de extrema direita. O avanço da agenda governista, no entanto, dependerá da construção de mais alianças em um Congresso polarizado e fragmentado, em que uma coalizão de oposição garantiu o controle da Câmara. Analistas apontam para um papel central do centrista Partido do Bom Governo, cujo apoio daria uma maioria funcional tanto ao bloco governista quanto à oposição de esquerda. Alternância de poder na América Latina — Foto: Editoria de arte "Consideramos que o resultado representa uma validação inicial do modelo de coalizão que sustenta a governabilidade de [Keiko] Fujimori e sua capacidade de promover uma agenda legislativa favorável ao crescimento", escreveu o chefe de análise de renda variável da corretora LarrainVial, Luis Ramos, em um relatório recente. Apesar do persistente ruído político do Peru, a nova administração contará com um ambiente macroeconômico mais previsível, o que provavelmente fortalecerá a confiança dos investidores e melhorará as perspectivas de crescimento, afirmou a agência de classificação de risco Moody’s em seu relatório mais recente. Entre os primeiros desafios do novo governo estarão o fenômeno climático El Niño, que ameaça provocar inundações catastróficas no setor agrícola — a segunda maior fonte de recursos do Peru, atrás apenas da mineração —, e o risco de um ressurgimento dos conflitos sociais em um país que continua profundamente dividido pelo legado do fujimorismo. Crítica das ruas Apesar dos pedidos de união, a herança política de Keiko é motivo de desconfiança. Familiares de vítimas de crimes perpetrados pelo Estado durante o governo Fujimori realizaram na segunda-feira uma vigília com velas e fotografias dos falecidos em uma praça de Lima, rejeitando o novo governo na véspera da posse. — Não esperamos nada de bom dela... Buscamos justiça há muitos anos e sabemos como eles agem — disse Marly Anzualdo, que ainda procura o corpo de seu irmão, Kenneth, desaparecido em 1993. Fotos de vítimas de crimes cometidos pelo Estado peruano em frente ao Palácio da Justiça, em Lima — Foto: Ernesto Benavides/AFP Outra frente de crítica que a nova presidente terá que responder durante o mandato diz respeito ao seu papel e o de seu partido, o Força Popular, na instabilidade política que afundou o país na pior crise de governabilidade da região. Opositores acusam Keiko de ter utilizado sua força política no Congresso em anos anteriores para minar governos opositores — ou blindar figuras políticas em particular. No protesto de segunda-feira, somaram-se às famílias de vítimas de crimes de Estado no Peru, grupos de famílias enlutadas mortos nos protestos do governo de Dina Boluarte (2022–2025) — que acusam Keiko e seu partido de proteger a ex-presidente de acusações no Congresso. — Eles governaram juntos... as mãos deles estão manchadas com o sangue de nossos entes queridos — disse Raúl Samillán, cujo irmão Marco, foi morto por um tiro durante um protesto anti-Boluarte, reprimido pelos militares em 2023. Os manifestantes também criticaram o partido Força Popular por promover, no ano passado, uma lei de anistia para agentes de segurança que respondiam a processos por violações de direitos humanos cometidas durante o conflito interno entre 1980 e 2000. (Com AFP e Bloomberg)
Keiko Fujimori assume Presidência do Peru com maior chance de estabilidade em anos, apesar de desconfiança sobre legado do pai
Presidente toma posse nesta terça-feira com promessa de 'reconciliação nacional' e combate ao crime, mas legado do ex-presidente Alberto Fujimori é motivo de resistência das ruas













